Quem já conviveu com idosos, especialmente na família, já deve ter conhecido alguns que insistem em não querer receber nenhum tipo de auxílio, mesmo quando é notável que já não possuem a mesma mobilidade, os mesmos reflexos, a mesma memória, a mesma noção de perigo.
É uma situação extremamente preocupante. Muitos não aceitam ir morar com os filhos, não aceitam ter acompanhantes ou enfermeiros para ajudarem a tomar conta, não gostam que os familiares tomem iniciativas como levá-los aos médicos, a fazer um supermercado para eles, etc... Enfim, um drama. E acabamos os vendo como "teimosos" ou orgulhosos.
O que fazer nesses casos? Cada família acaba encontrando seu meio de resolver o problema. Não é o que pretendo abordar por aqui, e sim, estou buscando entender o porquê dos nossos idosos agirem dessa maneira. Pode ao menos auxiliar na nossa compreensão com eles, e consequentemente, ajudar a renovar nossa paciência.
Eu creio que boa parte dos idosos de hoje seja a primeira geração a enfrentar isto. Pense que até há poucos anos atrás, os idosos dificilmente viviam tanto como vivem hoje. Ou ficavam doentes e nesse caso não tinham como recusar cuidados, ou faleciam muito mais cedo do que os de hoje. O corpo muitas vezes adoecia antes da cabeça começar a dar sinais de cansaço, o que não acontece hoje. Com os avanços da medicina e da farmacologia, os idosos têm alguns anos a mais de sobrevivência, mais fisicamente do que psicologicamente. E eles passam a não ter noção de que a saúde deles está deteriorando... Mas por quê?
Talvez a resposta esteja no passado deles. Eles não viram provavelmente seus pais ou avós viverem tanto tempo, logo, não têm noção porque não tiveram a vivência e o convívio com alguém cuja saúde física e mental foi ficando cada vez mais frágil. Se tivessem tido, pode ser que teriam vivenciado e "registrado" na memória e no subconsciente, conseguiriam ter mais consciência da situação que vivem agora e consequentemente uma melhor aceitação.
Claro que alguns idosos são mais "manhosos" e mesmo não precisando querem chamar a atenção requerendo cuidados além dos que eles realmente precisam, gostam de "vitimizar". Mas para aqueles que sempre foram bem ativos, independentes e "donos de si" realmente é um enorme desafio para eles admitir que precisam de ajuda... Talvez o desafio deles em aceitar seja maior do que o nosso em ter que entender e tomar atitudes. Afinal, é muito melhor ajudar do que ser ajudado... Tendo essa compreensão, certamente nossa paciência será auxiliada.
Pode ser que a próxima geração dos idosos que viverão muito, tenha uma consciência mais desenvolvida a respeito. Vale a reflexão, por mais jovens que sejamos, para no futuro não darmos tanto trabalho para nossos familiares. É triste, mas pode acontecer, então sejamos realistas...
Pensamentos e reflexões sobre amor, relacionamentos, família, trabalho, etc.. Seja bem vindo! Venha, reflita comigo e volte sempre :)
sexta-feira, 25 de março de 2016
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
...e se eu não me casar ou tiver filhos? Ficarei desamparado, na solidão...?
Essa é a pergunta que fazem 9 entre 10 pessoas que optam por ficarem sozinhas, ou que simplesmente não optaram mas estão mesmo assim...
E gente para dar palpite a elas, ou para "colocarem-nas para baixo", é o que não falta.
"Ah, mas você tem que se casar pelo menos uma vez na vida... Ou ao menos ter um(a) companheiro(a) mesmo que não more na mesma casa!"
"Filho é a melhor coisa do mundo, não é possível que você não queira ter um..."
E a clássica: "Quem vai cuidar de você quando chegar à velhice?"
Mas hoje é possível perceber que a juventude atual e o pessoal de seus 40 e poucos anos será praticamente a primeira geração com tanta gente que sim, vai chegar à terceira idade sem ter construído uma família. Muitos por opção, alguns nem tanto mas que seguem o velho ditado "antes só do que mal acompanhado(a)", e por muito mais motivos. Até porque hoje em dia não há aquela obrigatoriedade de casar, nem aquela pressão absurda que a sociedade e família faziam. Não que hoje não haja, mas ao menos, as pessoas começaram a aceitar melhor esse fato. Podem até dizer isso só na teoria e no fundo, conscientemente ou não, acham que "o certo" seria construir família. Mas já é alguma coisa, vai... É um sinal de que aos poucos esses conceitos serão amadurecidos.
Não que construir uma família seja algo ruim, claro que não, certamente é maravilhoso. Mas não deve ser visto como regra.
E a grande preocupação... Afinal, como será a velhice?
É claro que isso passa pela cabeça. Até porque, se esta é a primeira geração de futuros idosos que não construíram famílias, preocupa mesmo, porque não existe referência de como será. A única referência que temos é de uma maioria que construiu família e teoricamente não está só (bem teoricamente, porque conheço muitos idosos praticamente abandonados pelos filhos. Talvez, mais triste do que não ter filhos seja tê-los mas sofrer o descaso e abandono).
Mas eu creio que, se o mercado já pensa nessa futura população, ainda que timidamente (já começaram a surgir por exemplo condomínios voltados à terceira idade, com enfermeiros de plantão), no futuro as pessoas solteiras certamente terão uma estrutura e possibilidades de viver com tranquilidade.
Estávamos acostumados a ver nossos avós e bisavós muito doentes, ou há muito tempo aposentados, ou que faleciam cedo. É essa a visão que temos da velhice há um tempo atrás. Mas, olhe para a geração da terceira idade e idosos de hoje. Muitos são ativos economicamente, saem para dançar, cuidam da saúde, viajam, como algumas gerações de idosos atrás não fazia. Com a medicina avançando, com as pessoas sendo obrigadas a parar de trabalhar bem mais tarde (até porque os valores que a previdência paga pela aposentadoria nunca são suficientes, e considerando também que agora todo mundo será obrigado a trabalhar muito mais do que as gerações anteriores), e com o avanço da tecnologia... O mercado será obrigado a criar soluções, facilidades, produtos e serviços para essas pessoas. Aliás, certamente haverá grandes oportunidades para empresas que se voltarem a essa fatia de mercado.
E quanto à solidão... Essas pessoas terão alguns familiares, amigos (por isso, nunca podemos deixar de cultivar os que já temos e conquistar novos), e com certeza terão como conviver com pessoas na mesma situação que elas.
Quanta gente vive um casamento infeliz, quanta gente casa sem plena consciência do que está fazendo (só porque a sociedade influencia).... Se você se identifica com isso, pense bem se é isso que você quer. Tome cuidado para não sofrer, ou fazer alguém sofrer se no fundo o que você gostaria era estar sozinho, ou sem aquela pessoa...
E independente de como será... Além da vida ser sábia (confiemos no processo e na perfeição dela), acima de tudo, nosso futuro depende única e exclusivamente de nós. Nossa felicidade não depende de esposo(a), filhos, nem de ninguém. Claro que convívio, termos pessoas para amarmos e sermos amados por elas é muito importante e faz parte da vida, mas acima de tudo, temos que aprender a olhar para nós mesmos e lembrar que a única pessoa que estará conosco, garantida, até nosso último suspiro ou até nosso último momento de lucidez, será nós mesmos.
Esqueçamos das teorias do amor romântico, de achar nossa metade (afinal nascemos inteiros), de entender os filhos como extensão das pessoas... Porque dizer "não consigo viver sem você" só deve ser dito para o espelho!
E gente para dar palpite a elas, ou para "colocarem-nas para baixo", é o que não falta.
"Ah, mas você tem que se casar pelo menos uma vez na vida... Ou ao menos ter um(a) companheiro(a) mesmo que não more na mesma casa!"
"Filho é a melhor coisa do mundo, não é possível que você não queira ter um..."
E a clássica: "Quem vai cuidar de você quando chegar à velhice?"
Mas hoje é possível perceber que a juventude atual e o pessoal de seus 40 e poucos anos será praticamente a primeira geração com tanta gente que sim, vai chegar à terceira idade sem ter construído uma família. Muitos por opção, alguns nem tanto mas que seguem o velho ditado "antes só do que mal acompanhado(a)", e por muito mais motivos. Até porque hoje em dia não há aquela obrigatoriedade de casar, nem aquela pressão absurda que a sociedade e família faziam. Não que hoje não haja, mas ao menos, as pessoas começaram a aceitar melhor esse fato. Podem até dizer isso só na teoria e no fundo, conscientemente ou não, acham que "o certo" seria construir família. Mas já é alguma coisa, vai... É um sinal de que aos poucos esses conceitos serão amadurecidos.
Não que construir uma família seja algo ruim, claro que não, certamente é maravilhoso. Mas não deve ser visto como regra.
E a grande preocupação... Afinal, como será a velhice?
É claro que isso passa pela cabeça. Até porque, se esta é a primeira geração de futuros idosos que não construíram famílias, preocupa mesmo, porque não existe referência de como será. A única referência que temos é de uma maioria que construiu família e teoricamente não está só (bem teoricamente, porque conheço muitos idosos praticamente abandonados pelos filhos. Talvez, mais triste do que não ter filhos seja tê-los mas sofrer o descaso e abandono).
Mas eu creio que, se o mercado já pensa nessa futura população, ainda que timidamente (já começaram a surgir por exemplo condomínios voltados à terceira idade, com enfermeiros de plantão), no futuro as pessoas solteiras certamente terão uma estrutura e possibilidades de viver com tranquilidade.
Estávamos acostumados a ver nossos avós e bisavós muito doentes, ou há muito tempo aposentados, ou que faleciam cedo. É essa a visão que temos da velhice há um tempo atrás. Mas, olhe para a geração da terceira idade e idosos de hoje. Muitos são ativos economicamente, saem para dançar, cuidam da saúde, viajam, como algumas gerações de idosos atrás não fazia. Com a medicina avançando, com as pessoas sendo obrigadas a parar de trabalhar bem mais tarde (até porque os valores que a previdência paga pela aposentadoria nunca são suficientes, e considerando também que agora todo mundo será obrigado a trabalhar muito mais do que as gerações anteriores), e com o avanço da tecnologia... O mercado será obrigado a criar soluções, facilidades, produtos e serviços para essas pessoas. Aliás, certamente haverá grandes oportunidades para empresas que se voltarem a essa fatia de mercado.
E quanto à solidão... Essas pessoas terão alguns familiares, amigos (por isso, nunca podemos deixar de cultivar os que já temos e conquistar novos), e com certeza terão como conviver com pessoas na mesma situação que elas.
Quanta gente vive um casamento infeliz, quanta gente casa sem plena consciência do que está fazendo (só porque a sociedade influencia).... Se você se identifica com isso, pense bem se é isso que você quer. Tome cuidado para não sofrer, ou fazer alguém sofrer se no fundo o que você gostaria era estar sozinho, ou sem aquela pessoa...
E independente de como será... Além da vida ser sábia (confiemos no processo e na perfeição dela), acima de tudo, nosso futuro depende única e exclusivamente de nós. Nossa felicidade não depende de esposo(a), filhos, nem de ninguém. Claro que convívio, termos pessoas para amarmos e sermos amados por elas é muito importante e faz parte da vida, mas acima de tudo, temos que aprender a olhar para nós mesmos e lembrar que a única pessoa que estará conosco, garantida, até nosso último suspiro ou até nosso último momento de lucidez, será nós mesmos.
Esqueçamos das teorias do amor romântico, de achar nossa metade (afinal nascemos inteiros), de entender os filhos como extensão das pessoas... Porque dizer "não consigo viver sem você" só deve ser dito para o espelho!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
"Não vou mais à igreja/templo... Só tem gente que não faz nada do que prega!"
Quem de nós nunca ouviu alguém falar assim, ou vai saber se você mesmo(a) não diz ou pensa assim?
Este é um equívoco muito comum, bem como, surpreender-se com supostos erros de seguidores ou trabalhadores religiosos é pura ingenuidade.
É preciso lembrar que acima de tudo, os líderes religiosos, os trabalhadores das instituições, bem como os frequentadores de igrejas, templos e centros são seres humanos, totalmente sujeitos a errar, como qualquer pessoa. E quem vai arcar com as consequências das atitudes deles serão principalmente eles mesmos!
"Mas como ele(a) ensina/prega tudo isso e age totalmente diferente? Ele(a) não tem esse direito!!!"
Não é bem assim. Chega a ser orgulho, arrogância ou prepotência da nossa parte pensar desse jeito. Isso é julgar o outro, que tem tanto direito de errar como qualquer um de nós. E pode ser uma atitude comodista e "engessada" da nossa parte achar que temos mais direito de errar do que eles, uma "desculpa" a mais para errarmos...
E por que a gente se surpreende tanto com os erros dessas pessoas? Simplesmente porque não paramos para pensar que saber o que as religiões pregam na teoria é bem distante de praticar. Que essas pessoas muitas vezes são ou estão até iludidas sobre elas mesmas. Acham que porque elas tiveram acesso a teorias, estudos e conhecimento sobre determinada doutrina, sabem de tudo. E ok, elas até podem saber muita coisa, mas na teoria. Mas saber se restringe ao plano racional. Agora, praticar é totalmente subjetivo, é emocional, é vivência. E o que não falta no mundo é gente que confunde razão com emoção...
Muitas dessas pessoas, além de serem iludidas sobre elas mesmas, podem sofrer de outro mal gravíssimo do qual sequer se dão conta: Acham que por serem trabalhadoras ou crentes em Cristo, Buda, Jeová, Allah, Krishna, ou seja qual for a divindade, crêem que "têm uma proteção espiritual extra" e com isso acham que a probabilidade delas errarem é menor. E quando elas se dão conta do erro, ou colhem o mal que plantaram... Vem uma decepção tão grande que pode demorar muito tempo para entenderem o que houve. E pelo que já vi por aí, se essas divindades existem, respeitam muito o livre-arbítrio dos seus seguidores, tanto que permitem que eles errem...
Não creio que haja motivos para a gente deixar de frequentar um lugar que corresponde à nossa fé por causa disso (a não ser que nós sejamos uma vítima dessas pessoas, percebamos atitudes descaradamente anti éticas ou criminosas, claro). Aprendamos a separar as coisas. As instituições podem ser excelentes escolas, podem ter trabalhadores talentosos, mesmo que eles tenham talento apenas para ensinar e transmitir teorias e filosofias, e nada de vivência. Nosso principal interesse ao frequentar uma instituição é adquirir conhecimento ou encontrar um conforto espiritual, não julgar ou determinar como deve ser a vida pessoal das pessoas que ali estão.
Lembre-se também que a maioria das religiões ensina a não julgar e a perdoar o próximo. Portanto, seus frequentadores e trabalhadores também podem vir a precisar do nosso perdão. E mesmo que a gente não cometa os mesmos erros deles, podemos cometer outros, quem sabe até piores...
E há um lado positivo quando nos deparamos com erros dessas pessoas. Entendemos que elas não são superiores a ninguém (mesmo que elas pareçam ser aos nossos olhos ou deem a entender isso), consequentemente que não somos inferiores a elas e que no fundo somos todos iguais... Que elas sirvam de exemplo para nós, caso tenhamos a intenção de um dia sermos trabalhadores ou seguidores assíduos dessas instituições. Procuraremos não agir da mesma forma, e principalmente, aprenderemos a ter a humildade de perceber que estaremos sempre sujeitos a errar independente da posição na qual nos encontrarmos.
______________________________________________________________________
"Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes." - Paulo (I Coríntios, 16:13)
"Deixemos todo impedimento e pecado que tão de perto nos rodeiam e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta." - Paulo (Hebreus, 12:1)
"Olhais para as coisas segundo as aparências? Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, que assim como ele é do Cristo, também nós do Cristo somos." - Paulo (II Coríntios, 10:7)
"Mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, de dia em dia." - Paulo (II Coríntios, 4:16)
"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma." (Tiago, 2:17)
Este é um equívoco muito comum, bem como, surpreender-se com supostos erros de seguidores ou trabalhadores religiosos é pura ingenuidade.
É preciso lembrar que acima de tudo, os líderes religiosos, os trabalhadores das instituições, bem como os frequentadores de igrejas, templos e centros são seres humanos, totalmente sujeitos a errar, como qualquer pessoa. E quem vai arcar com as consequências das atitudes deles serão principalmente eles mesmos!
"Mas como ele(a) ensina/prega tudo isso e age totalmente diferente? Ele(a) não tem esse direito!!!"
Não é bem assim. Chega a ser orgulho, arrogância ou prepotência da nossa parte pensar desse jeito. Isso é julgar o outro, que tem tanto direito de errar como qualquer um de nós. E pode ser uma atitude comodista e "engessada" da nossa parte achar que temos mais direito de errar do que eles, uma "desculpa" a mais para errarmos...
E por que a gente se surpreende tanto com os erros dessas pessoas? Simplesmente porque não paramos para pensar que saber o que as religiões pregam na teoria é bem distante de praticar. Que essas pessoas muitas vezes são ou estão até iludidas sobre elas mesmas. Acham que porque elas tiveram acesso a teorias, estudos e conhecimento sobre determinada doutrina, sabem de tudo. E ok, elas até podem saber muita coisa, mas na teoria. Mas saber se restringe ao plano racional. Agora, praticar é totalmente subjetivo, é emocional, é vivência. E o que não falta no mundo é gente que confunde razão com emoção...
Muitas dessas pessoas, além de serem iludidas sobre elas mesmas, podem sofrer de outro mal gravíssimo do qual sequer se dão conta: Acham que por serem trabalhadoras ou crentes em Cristo, Buda, Jeová, Allah, Krishna, ou seja qual for a divindade, crêem que "têm uma proteção espiritual extra" e com isso acham que a probabilidade delas errarem é menor. E quando elas se dão conta do erro, ou colhem o mal que plantaram... Vem uma decepção tão grande que pode demorar muito tempo para entenderem o que houve. E pelo que já vi por aí, se essas divindades existem, respeitam muito o livre-arbítrio dos seus seguidores, tanto que permitem que eles errem...
Não creio que haja motivos para a gente deixar de frequentar um lugar que corresponde à nossa fé por causa disso (a não ser que nós sejamos uma vítima dessas pessoas, percebamos atitudes descaradamente anti éticas ou criminosas, claro). Aprendamos a separar as coisas. As instituições podem ser excelentes escolas, podem ter trabalhadores talentosos, mesmo que eles tenham talento apenas para ensinar e transmitir teorias e filosofias, e nada de vivência. Nosso principal interesse ao frequentar uma instituição é adquirir conhecimento ou encontrar um conforto espiritual, não julgar ou determinar como deve ser a vida pessoal das pessoas que ali estão.
Lembre-se também que a maioria das religiões ensina a não julgar e a perdoar o próximo. Portanto, seus frequentadores e trabalhadores também podem vir a precisar do nosso perdão. E mesmo que a gente não cometa os mesmos erros deles, podemos cometer outros, quem sabe até piores...
E há um lado positivo quando nos deparamos com erros dessas pessoas. Entendemos que elas não são superiores a ninguém (mesmo que elas pareçam ser aos nossos olhos ou deem a entender isso), consequentemente que não somos inferiores a elas e que no fundo somos todos iguais... Que elas sirvam de exemplo para nós, caso tenhamos a intenção de um dia sermos trabalhadores ou seguidores assíduos dessas instituições. Procuraremos não agir da mesma forma, e principalmente, aprenderemos a ter a humildade de perceber que estaremos sempre sujeitos a errar independente da posição na qual nos encontrarmos.
______________________________________________________________________
"Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes." - Paulo (I Coríntios, 16:13)
"Deixemos todo impedimento e pecado que tão de perto nos rodeiam e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta." - Paulo (Hebreus, 12:1)
"Olhais para as coisas segundo as aparências? Se alguém confia de si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, que assim como ele é do Cristo, também nós do Cristo somos." - Paulo (II Coríntios, 10:7)
"Mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, de dia em dia." - Paulo (II Coríntios, 4:16)
"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma." (Tiago, 2:17)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Ficar sem ele(a) x ficar sozinho(a)
Talvez o maior problema não seja saber como vai ficar sem ele(a), mas sim, como você vai ficar só com você....
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
A bolsa pesada
Nós, mulheres, temos bolsas grandes onde sempre cabe tudo e mais um pouco. Por maior que seja, estamos sempre colocando mais e mais coisas.
Mas vou falar para vocês: A minha "andava de parabéns' (risos)! Um peso que não tinha quem não reparasse. E era bem resistente, mas base das alças começou até a rasgar de tanto peso.
E um dia reparei na necessaire onde carrego alguns itens de maquiagem (itens indispensáveis para mulher, óbvio). Cheia de coisas que eu não uso todos os dias, aliás, que uso raramente. E retirei algumas coisas dela. E percebi que... A bolsa continuou pesada. Demais. E parei pra observar melhor. E aí fui me dar conta: A própria necessaire, vazia, era pesada demais. E encontrei uma solução. Peguei o estritamente necessário e coloquei numa necessaire menor, só de tecido, que quase não pesa nada. E aí... A bolsa finalmente ficou "carregável". :-)
A necessaire pesada havia ficado mais de um ano dentro da bolsa... Ou seja, fiquei um ano carregando aquele peso, sem perceber.
-----------------------------------------------------------------------------------------------
E aí parei pra pensar... Fazendo uma analogia com nosso coração e nossa alma... Quanto peso a gente deve carregar sem saber. Quanta coisa a gente carrega todo dia sem precisar, sem usar pra nada, que só fica consumindo nossa energia e trazendo desconforto. Quanto tempo ficamos desconfortáveis, sem "nos tocarmos" do mal que aquilo faz para a gente, sem perceber o quanto podemos deixar nossas bolsas mais leves, nossos dias menos cansativos. O caminhar fica mais difícil, mais cansativo, mais lento. Somos obrigados a andar mais devagar... Como seria mais fácil se estivéssemos mais leves, se prestássemos mais atenção ao que carregamos todos os dias!
Talvez seja hora de "esvaziar um pouco a bolsa" do nosso coração. Pode ser simplesmente começando por não mais dar atenção a um pensamento ruim. Parando de dar importância a pessoas e relacionamentos "tóxicos". Começar a observar o que pode estar pesando tanto sem a gente perceber (como eu ao descobrir a necessaire pesada). Evitando sofrimentos por antecipação. Mostrar aos demais o que nos incomoda, o que nos machuca, e não mais tomar para nós o peso que são dos outros...
Abra sua bolsa agora... E observe com atenção se cada item que você carrega é realmente necessário para todos os dias!
Mas vou falar para vocês: A minha "andava de parabéns' (risos)! Um peso que não tinha quem não reparasse. E era bem resistente, mas base das alças começou até a rasgar de tanto peso.
E um dia reparei na necessaire onde carrego alguns itens de maquiagem (itens indispensáveis para mulher, óbvio). Cheia de coisas que eu não uso todos os dias, aliás, que uso raramente. E retirei algumas coisas dela. E percebi que... A bolsa continuou pesada. Demais. E parei pra observar melhor. E aí fui me dar conta: A própria necessaire, vazia, era pesada demais. E encontrei uma solução. Peguei o estritamente necessário e coloquei numa necessaire menor, só de tecido, que quase não pesa nada. E aí... A bolsa finalmente ficou "carregável". :-)
A necessaire pesada havia ficado mais de um ano dentro da bolsa... Ou seja, fiquei um ano carregando aquele peso, sem perceber.
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E aí parei pra pensar... Fazendo uma analogia com nosso coração e nossa alma... Quanto peso a gente deve carregar sem saber. Quanta coisa a gente carrega todo dia sem precisar, sem usar pra nada, que só fica consumindo nossa energia e trazendo desconforto. Quanto tempo ficamos desconfortáveis, sem "nos tocarmos" do mal que aquilo faz para a gente, sem perceber o quanto podemos deixar nossas bolsas mais leves, nossos dias menos cansativos. O caminhar fica mais difícil, mais cansativo, mais lento. Somos obrigados a andar mais devagar... Como seria mais fácil se estivéssemos mais leves, se prestássemos mais atenção ao que carregamos todos os dias!
Talvez seja hora de "esvaziar um pouco a bolsa" do nosso coração. Pode ser simplesmente começando por não mais dar atenção a um pensamento ruim. Parando de dar importância a pessoas e relacionamentos "tóxicos". Começar a observar o que pode estar pesando tanto sem a gente perceber (como eu ao descobrir a necessaire pesada). Evitando sofrimentos por antecipação. Mostrar aos demais o que nos incomoda, o que nos machuca, e não mais tomar para nós o peso que são dos outros...
Abra sua bolsa agora... E observe com atenção se cada item que você carrega é realmente necessário para todos os dias!
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
As Descobertas de Fernanda
As descobertas de Fernanda
Deitada em sua cama, abraçada a uma almofada, Fernanda
chorava. Sua mãe, Elisa, havia falecido quinze dias antes. A avó paterna, dona
Linda, entrou no quarto, chamando-a para jantar.
_Vamos, Fernanda, comer um pouquinho. Sei que tudo isso é
muito difícil, mas você precisa se alimentar, querida... Você tem 10 anos, está
em fase de crescimento.
_Vovó, estou sem fome. Queria minha mãe de volta... Por
que ela teve que partir?
_Todos nós queríamos sua mãe de volta, meu bem. Mas
existem coisas que não têm explicação. Acredite que Deus sabe o que faz.
_Deus? Duvido que exista... E se existe, não é tão bom
como falam... Como pode, levar uma pessoa tão boa como era a mamãe?
_Fernanda, sua mãe ficaria muito triste se te ouvisse
falando assim... Ela era uma mulher de muita fé, e quis muito passar isto para
você...
_Não importa, vovó. Agora ela não está mais aqui, não
está me ouvindo... Agora, por favor, me deixe um pouco sozinha, estou sem fome
mesmo...
E desatou a chorar de novo. Dona Linda achou melhor
deixá-la sozinha mesmo. Ao descer as escadas, Zeca, seu filho e pai de
Fernanda, perguntou por ela:
_Mãe, e a Fernanda? Não vai jantar?
_Está chorando, Zeca. Quer a mãe de volta, e está se
perguntando se Deus existe mesmo... E quis ficar sozinha. Achei melhor
deixá-la.
_Vou falar com ela. Tenho algo em mente, e já sei o que
fazer. Ela também já me disse que não acredita em mais nada. E ela é muito
jovem para perder a fé na vida...
Subiu até o quarto de Fernanda. E bateu na porta:
_Filhinha, posso entrar?
_Claro, papai...
Zeca entrou no quarto e Fernanda estava com o rosto todo
vermelho, banhado em lágrimas. Abraçou a menina e disse:
_Fernanda, sei o quanto é duro para você. Para mim também
é, você sabe o quanto eu e mamãe nos dávamos bem. Eu também estou muito abalado
e tentando me adaptar sem ela... Tudo é muito difícil, a gente tem que se
ajudar, filha... Venha, vamos descer e jantar um pouco.
_Papai, eu não aguento de saudades da mamãe... Não tenho
vontade de nada.
_Filha, a mamãe não está mais aqui. Mas pense que seu pai
está, e estará sempre com você. Então, é por mim que peço. Venha comer um
pouco, estou muito preocupado com você, e tudo o que não preciso agora é de
você doente por não se alimentar. Faça isso pelo seu pai... E por sua avó
também, que tem feito o possível por nós.
Fernanda levantou-se. Pensou no que o pai disse, e de
fato não queria trazer mais preocupações para ele e para a avó.
_Isso, filha. Vá lá lavar esse rostinho, penteie seus
cabelos... E vamos jantar. Preciso de você forte e alimentada. Amanhã vou te
levar para um passeio.
_Passeio, papai? Para onde? Eu não tenho vontade!
_Será uma surpresa para você. Vamos, mesmo sem vontade.
Em algum lugar temos que estar amanhã, certo? E não precisa ser em casa. Será
Sábado, vai fazer sol... E tenho certeza de que vai te fazer bem. Vamos, faça
isso pelo seu pai. Vamos dormir cedo, iremos para um lugar não tão perto.
E de fato, Fernanda atendeu ao pedido do pai. Jantou, e
no dia seguinte, bem cedinho, se preparava para sair. E como ele havia pedido,
vestiu-se com roupas confortáveis e calçava tênis. Ao descer, viu que o pai
levava uma mochila nas costas.
_Pra que a mochila, papai?
_Faz parte do passeio, filhinha. Não faça perguntas, eu
já disse que era uma surpresa.
E Fernanda não fez mais perguntas mesmo, até pelo seu
desânimo.
Entraram no carro. Zeca saiu da cidade, entrou numa
estrada, e a viagem seguiu. Chegaram numa pequena cidade do interior, bem
arborizada. Uma estradinha de terra os conduzia a um lugar muito bonito. Fazia
sol. Zeca disse:
_Sinta o cheiro do mato, Fernanda! Ouça o canto dos
passarinhos! Sair da cidade grande nos faz tão bem, não faz?
Zeca emocionou-se, porque falou exatamente o que Elisa
diria se estivesse ali também. Fernanda sentiu que o pai fazia um esforço
tremendo para anima-la apesar da tristeza que ele não conseguia esconder
também. E sabia que ele estava fazendo tudo isso por ela, então ela procurou se
animar.
E finalmente chegaram ao destino. Zeca estacionou o
carro, desceram e entraram numa reserva florestal.
_Aqui começa nossa aventura, Fernanda. Vamos andar numa
trilha! Espere um pouco aqui, vou registrar nossa entrada. Um guia irá nos
acompanhar e ele já deve estar nos esperando.
Fernanda viu de longe seu pai conversando com o guia por
uns minutos. Em seguida, ambos vieram até ela. O guia se apresentou:
_Bom dia, Fernanda, prazer em conhecê-la! Meu nome é
Samuel, mas pode me chamar de Samuca. Irei acompanhá-los na aventura.
_E para onde vamos?
_Não posso contar! Senão estragarei a surpresa que seu
pai quer fazer para você. Vamos lá? O caminho é longo.
Mesmo triste, Fernanda foi seguindo o pai e o guia.
Conversaram sobre o dia bonito que fazia, sobre o ar fresco que refrescava a
sensação do sol quente... E do quanto Elisa gostaria de estar ali com eles. Elisa,
Zeca e Fernanda sempre gostaram de ter contato com a natureza. Alguns trechos
eram difíceis, Fernanda até se queixou um pouco:
_Papai, estou cansada...
_Tenha um pouco de paciência, filha. Ás vezes é preciso
ter um pouco de trabalho para alcançarmos coisas boas. E acredite, você vai
adorar. Não vai, Samuca?
_E como vai! Será um sucesso, Nanda!
Num momento da
trilha, Zeca disse:
_Filha, aqui começa minha surpresa para você. Vou vendar
seus olhos. Confie no seu pai, ok?
Zeca vendou os olhos de Fernanda e pediu que ela
aguardasse um pouco. Ela ouviu que ele e Samuca pegavam outras coisas na
mochila e ficou se perguntando que surpresa seria aquela. Zeca disse a ela:
_Vamos, Fernanda, segure minha mão. Vamos andar bem
devagar, vou te orientando para você não tropeçar.
E foram andando. Logo em seguida, ele disse:
_Não se assuste, mas vamos pisar em um pouco de água
agora. Não se preocupe em molhar seus tênis porque trouxe outros para você na
mochila.
Fernanda começou até a ficar um pouco mais animada:
_Oba, então pelo jeito essa surpresa vai ser divertida...
Embora a mamãe não gostaria nada, nada de saber que eu estou molhando os pés.
_É verdade. Ela nos daria uma bela bronca agora se nos
visse de onde está. Mas vamos. E a água pode estar gelada, mas logo vamos nos
acostumar. Só os seus pés irão molhar.
_Ui, papai, que água gelada. Nós estamos em um lago?
_Pode-se dizer que sim, Fernanda. Logo você vai ver o que
é!
Andaram mais um pouco, saíram do lago. Ao continuar o
caminho, Fernanda percebia que tudo parecia estar ficando mais escuro. Apesar
da venda nos olhos, deu para perceber quando a claridade do sol sumiu, bem
como, quando o calor dele parou de tocar sua pele.
Zeca parou de andar. E disse:
_Pronto, filha. Pode tirar a venda dos olhos. Mas fique
onde está, não saia de perto de mim. E não tenha medo.
Fernanda tirou a venda dos olhos, mas viu-se numa escuridão
total. Não enxergava nada. Olhou para cima, para baixo, para os lados... Mas
tudo era escuridão total. Zeca esperou que ela se manifestasse:
_Papai, por que está tudo tão escuro? Que lugar é este?
_Você já vai ver, querida... Agora, Samuca!
Zeca e Samuca acenderam uma lanterna. Fernanda olhou ao
redor, e ao ver o ambiente iluminado, ficou maravilhada:
_Noooossa, papai! Mas isso é... Isso é uma caverna!!!
Como as que vi nas fotos que você me mostrou!!! Eu sempre quis conhecer uma!
_Sim, Fernanda, é uma caverna. Fiz questão de te trazer
num salão bem escuro dela para fazer a surpresa. Agora, vamos, coloque o seu
capacete, e também tem uma lanterna nele para que você consiga enxergar tudo
melhor, igual ao meu. E se sentir frio, tenho uma blusa para você na mochila.
Pode estar o calor que for lá fora, a temperatura aqui pouco irá variar. E
trouxe um lanche, com tudo o que você gosta, para podermos repor as energias
quando sairmos daqui.
Pela primeira vez em 16 dias, Fernanda sentiu-se animada.
Seus pais sempre diziam que a levariam para conhecer uma caverna e ela sempre
esperou por isso. Zeca ajudou-a a colocar o capacete, e ela de fato estava
muito contente. A terceira lanterna acesa melhorou ainda mais a visão dos três
aventureiros.
Era um bonito salão o que estavam. Fernanda foi olhar de
perto as formações: Estalactites, estalagmites, cortinas, colunas... Ela
conhecia tudo por fotos, já tinha lido bastantes coisas a respeito, mas vê-las
de perto era muito mais emocionante.
_Fernanda, lembre-se de que a natureza trabalhou anos e
anos para isso. E ainda não terminou seu trabalho. Essa caverna em que estamos,
por ter água, o que você achou que era um lago, significa que ainda está em
formação, lembra-se disso?
_Sim, papai, eu me lembro. E olha que legal, as gotinhas
caem tão devagar das estalactites...
_Fernanda, lembre-se de não tocar em nada, principalmente
onde tem as gotinhas, senão você destrói anos de trabalho da natureza, que
precisa de tempo para construir com perfeição essas lindas formações.
Ela observou cada canto do salão onde estavam. E Samuca
foi conduzindo pai e filha para outros salões da caverna. Todos tinham
formações interessantes de se ver, de formatos e colorações diversas. Fernanda estava encantada com tudo o que estava vendo.
Era tudo muito lindo, um verdadeiro presente da natureza.
Ficaram aproximadamente uma hora dentro da caverna. E
fizeram um lanche, e em seguida, toda a trilha de volta. Zeca agradeceu Samuca
por tê-los acompanhado:
_Muito obrigado, Samuca! Quando eu vier novamente vou te
chamar para nos acompanhar.
_Eu é que agradeço, Zeca. Venha sempre que possível. Aqui
no parque tem muitas coisas lindas para ver. A Fernanda vai adorar. E... Muita força, muita luz para vocês.
Samuca abraçou Zeca, e em seguida, abraçou Fernanda também.
E a ela disse:
_Adorei conhecê-la, Fernanda. Espero vê-la de novo em
breve. E... Sinto muito por sua mãe... Seu pai me contou tudo. Espero que você
consiga superar logo essa fase tão difícil. Viva, e deixe seu pai viver também! Agora, vou deixar você e seu pai.
Ele tem algumas coisas importantes para te falar.
Fernanda chorou um pouco. Zeca segurou em sua mão e foi
levando a menina para uma outra trilha, desta vez bem mais curta, procurando
distraí-la com outras coisas. Logo em seguida, chegaram num lindo lugar, com
uma cachoeira.
_Vamos nos sentar naquela pedra e contemplar esse
lugar... É muito bonito.
Sentaram-se. A menina começou o assunto:
_Papai, o Samuca disse que você tinha coisas importantes
para me falar... O que é?
_Tenho, sim, Fernanda. Você gostou de tudo o que viu
hoje? Gostou da caverna, gosta desse lugar em que estamos agora?
_Sim, papai, é tudo muito lindo...
_E você tem ideia de quem criou tudo isso?
Fernanda ficou quieta. Abaixou um pouco a cabeça, ficou
pensativa. Olhou para a cachoeira, olhou para o rio, olhou para o céu...
_Já sei. Você vai me dizer que foi Deus. Mas não estou
acreditando muito n’Ele...
_E por que você acha que eu diria a você que é Deus?
_ É o que a maioria das pessoas diz.
_Filha, vou repetir a pergunta. Não estou pedindo para
você dizer que é Deus, e muito menos pedindo para que você acredite n’Ele. Quem
você acha que criou tudo isso?
_Não sei, papai. Uma “coisa”... Ou alguém com muito
poder.
_Mas você acredita que exista algo ou alguém que criou
tudo isso, certo? Afinal, se tudo isso que existe está aí, surgiu de alguma
forma... Concorda?
_Sim, papai... Mas acho que essas coisas deveriam ser
explicadas para a gente.
_Fernanda, há muitos mistérios da natureza que a
humanidade precisa desvendar. Existem várias teorias a respeito, tanto na
ciência como nas religiões e crenças... Mas nada é certo. Os homens estão aí,
vivendo na Terra há uns 200.000 anos, mas até hoje não desvendaram quase nada.
E se é assim, significa que ainda não evoluímos o suficiente para ter esse
conhecimento, por mais que a ciência cresça, o caminho ainda é longo. Um dia,
acredito que tudo isso será explicado. Mas enquanto isso não acontece, é
importante lembrarmos que se estamos aqui, somos parte da natureza... Que uma
força desconhecida nos criou. Isso é ter fé na vida, Fernanda. O que você acha?
Ela se calou. Não conseguia responder nada, e seu
rostinho mostrava profunda tristeza. Como continuou em silêncio, Zeca
continuou:
_Fernanda... Responda-me uma coisa. Logo que vendei seus
olhos na trilha, andamos um pouco e pisamos na água. Você me perguntou se
estávamos em um lago. Mas onde estávamos de verdade?
_Na caverna.
_Certo. E por que você achou que era somente um lago e
não uma caverna?
_Porque foi na primeira coisa em que pensei, e senti a
água nos pés... Eu não podia ver que era uma caverna.
_E você nunca havia estado numa caverna antes. Isso
também ajudou você a não pensar que podia ser uma caverna, concorda?
_Sim, concordo. Mas o que você quer dizer com tudo isso?
_Quero dizer, filha, que a gente deduz as coisas à medida
que vamos adquirindo conhecimentos. Mas que nem sempre deduzimos o que é
correto. A gente tira conclusões de acordo com aquilo que sabemos naquele
momento. E à medida que vamos aprendendo mais, vamos começando a questionar
mais. Se eu vendar seus olhos numa nova trilha e você pisar em água de novo,
daqui para frente vai se perguntar se está num lago ou numa caverna. Então,
vale a pena pensar se acreditamos ou não em certas coisas, bem como, se aquilo
que deduzimos pode ter outras respostas. Que tal pensar um pouco nisso?
Novamente Fernanda se calou. Após um tempo, o pai fez
nova pergunta:
_Outra coisa, filha. Quando vendei seus olhos... Você
sentiu medo?
_Não, papai, não senti.
_Quando pedi para você caminhar de mãos dadas comigo,
você não podia ver nada. Quando falei para você tirar a venda dos olhos e tudo
continuou escuro, falei para você não ter medo. Por que você não teve medo?
_Porque eu acredito em você, você é meu pai...
_E você confia em
mim, mesmo sem saber para onde eu estava te levando... Certo?
_Certo.
_Então, Fernanda. Será que a tal força desconhecida que
criou o mundo, inclusive este pequeno pedaço dele que estamos visitando hoje,
não faz o mesmo com a gente?
Fernanda pensou um pouco e disse:
_É... Pode ser. Mas por que faria a gente sofrer? Você me
levou num lugar lindo sem eu saber. Essa “tal força” às vezes nos faz sofrer!
Você não me fez sofrer.
_Fernanda... Nem tudo tem explicação. Hoje eu te trouxe
num lugar bonito. Há umas semanas atrás, tive que brigar com você, que não fez
a lição de casa e escondeu de mim e de sua mãe, lembra-se disso? Você ficou
triste e chorou bastante. Fiz você sofrer, não fiz?
_Sim, fez...
_E mesmo tendo brigado com você, você sabe o quanto te
amo, filha... E sabe que fui obrigado a brigar com você para que aprendesse a
ter mais responsabilidade e a não mentir mais. Na hora você não percebeu isso,
mas agora sabe que fiz isso para que
você cresça, não sabe? E que continuarei fazendo se for preciso...
_Sim, papai... Eu sei.
_Então, filha. Você acredita no seu pai, mesmo sabendo
que ele pode te trazer alegrias e te deixar triste de vez em quando. Estou
certo?
_Está!
_Filha querida... Isto se chama “fé”. Será que não é
assim que essa força desconhecida age conosco?
Fernanda ficou em silêncio. Como não dizia nada, Zeca fez
outra pergunta:
_Vamos, Fernanda. Olha, não precisa me responder nada
agora. Sei que é muita informação para sua cabecinha, é muita coisa para você
pensar... Mas preciso te falar essas coisas, filha. Você é tão jovem e está
tendo que conviver com uma dor muito grande... Eu quero que você encontre
forças para continuar, para não se entregar ao sofrimento e perder a fé em
viver. E fé, Fernanda, é uma palavra que ouvimos muito quando o assunto é
religião. Mas querida... Fé é uma palavra que pode ser usada em tudo aquilo que
acreditamos. Podemos ter fé numa religião sim, mas podemos ter também em nossos
amigos... Você pode ter na escola, quando faz um bom trabalho e espera que sua
professora reconheça... Eu posso ter no meu trabalho... Um eleitor pode votar
em um candidato na eleição por acreditar no trabalho dele... Tudo isso é fé,
Fernanda. É acreditar em algo, independente de sabermos se o que esperamos vai
se realizar ou não, e se aquilo em que acreditamos nos dará o que esperamos. E
é preciso ter fé na vida, Fernanda, na energia que criou todo o universo. A
gente não sabe praticamente nada sobre isto... Algumas pessoas acreditam em
Deus, outras dão outro nome, há milhares de religiões que dão vários nomes a
essa força, Fernanda. E há também quem não acredite em um “ser” exatamente, que
são os ateus, mas que também não sabem explicar os mistérios do mundo... Você
tem fé no seu pai, assim como podemos ter fé na força da vida.
_Ah, papai. Você eu vejo. Como posso acreditar naquilo
que não vejo?
_Fernanda... Quando acendemos a luz, o que faz com que a
lâmpada se acenda?
_A eletricidade.
_E você vê a eletricidade?
_Sim, papai, quando a luz acende.
_Não, Fernanda. Você vê o efeito da eletricidade, que é uma força invisível.
_Mas papai, se eu vejo que a luz acendeu, eu sei que foi
a eletricidade que a trouxe!
_E quando você vê todas essas coisas lindas da natureza à
sua volta... Quem foi que trouxe?
_Não sei...
_...Certo. Você não sabe, e eu também não. Mas foi uma
força invisível também, assim como a eletricidade. O homem já descobriu a
eletricidade, vai descobrir outras coisas também. Mas existe uma força invisível que criou a natureza que você vê. Concorda
com isso?
_Sim, papai, concordo... Mas acho que vou acreditar
quando o homem descobrir.
_Fernanda, os efeitos dessa força estão aí para a gente
ver e acreditar nela. Mas tudo é questão de tempo. Vamos pensar naquelas
estalactites que você viu na caverna. Geralmente elas crescem de 6 mm a 25 mm a
cada 100 anos. Tem noção do que é isto, do tempo que elas demoram para se
formar?
_Nossa, tudo isso?
_Sim. Tudo isso. Demora esse tempo todo. E não são belas,
mesmo em formação?
_Sim, são lindas!
_É isso, filha... Há coisas belas em formação, e são
belas mesmo enquanto ainda não estão prontas. Assim como nós e a humanidade em
geral... Gostaria que você pensasse em tudo isso.
_Mas eu queria ainda entender por que a mamãe teve que ir
embora, papai... Eu sinto tanta saudade!
_Fernanda... Tudo isso é muito difícil para nós todos.
Esse é um dos mistérios que demoraremos muito para descobrir, se é que um dia
iremos. Mas, pense em outra coisa. Lá dentro da caverna, quando você tirou a
venda, tudo continuou escuro, não continuou?
_Sim, eu não enxergava nada.
_E o que eu e o Samuca fizemos?
_Acenderam as lanternas, oras...
_Então. Nós acendemos as lanternas para iluminar a
escuridão. É o que precisamos fazer na vida, minha pequena aventureira. É
preciso encontrar motivos para levar luz onde está escuro... E o que aconteceu
quando acendemos a sua lanterna também?
_Conseguimos enxergar ainda melhor.
_Sim, querida, quanto mais pessoas escolherem iluminar,
mais visão e conforto todos terão... Fernanda, é isso que tenho tentado fazer
todos os dias por você. Tudo vai continuar triste e difícil por um tempo, mas
se ambos escolhermos iluminar... Será mais reconfortante. Juntos, teremos uma
luz em dobro. Vamos tentar?
Fernanda abaixou a cabeça e começou a chorar...
_Por favor, filhinha... Olhe para mim! Aqui, bem nos meus
olhos!
A menina olhou nos olhos do pai. Com os olhos também
marejados, ele continuou:
_Eu... Não aguento ver você tão triste. Eu tenho muita
saudade da sua mãe, sei que você também... E ver você sofrendo tanto... Aumenta
ainda mais a minha dor. Não posso pedir que você não sofra, Fernanda, porque
isso faz parte e não temos como fugir disso... Agora... Ver minha filha tão
amada... Tão amarga... E tão descrente de tudo.... Eu... Não consigo...
A voz de Zeca foi ficando pausada e trêmula. Não
conseguiu dizer mais nada. Abraçou a menina bem forte. E ali, abraçados, ambos
choraram toda a sua dor, tendo apenas a natureza como testemunha.
_Papai, não chore...
_Nanda... Seu pai também sofre. É impossível ser tão
forte a ponto de nunca chorar. Isso faz parte. Mas não se preocupe, eu estou
bem. Apenas me diga que ao menos irá pensar em tudo o que conversamos!
Lembre-se que estou pedindo simplesmente que você acredite na vida, mesmo que
não saibamos por que algumas coisas tristes acontecem... E que você pense
também em ter fé, independente da crença que você escolher ter, independente de
ser a mesma que eu e sua mãe tínhamos! Isso é com o tempo, minha querida, mas
saiba que estarei sempre aqui ao seu lado. Pode contar com seu pai para sempre.
Tudo o que eu te disse pode levar um tempo para você assimilar. Vamos conversar
sobre isso sempre que você quiser!
_Sim, papai... Eu vou pensar...
_Obrigado, filha. Já me conforta saber que ao menos você
está disposta a tentar. Agora, vamos indo, minha pequena aventureira?
_Vamos, papai.
De mãos dadas, foram seguindo a pequena trilha de volta.
Caminhavam em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Desta vez, foi
Fernanda quem cortou o silêncio:
_Papai... Preciso te perguntar uma coisa!
_Claro, o que você quiser!
Zeca parou na trilha, sentou-se numa pedra, pôs a menina
no colo, que disse:
_Papai... Esses dias todos, de tão triste que fiquei,
falei que não acredito em nada, e confesso que fiquei até com raiva de tudo
isso... E também dessa “força maior”, como você diz, que deve saber que estou
com raiva dela... Será que vou ser castigada de alguma forma por isso?
_Nanda... Confesse. Quando eu brigo com você, você fica
triste comigo e às vezes sente até raiva, não sente?
Fernanda se calou.
_Filha, vá em frente. Pode falar. Seu pai está aqui para
isso. Não tenha medo nem culpa do que você sente, nem de falar sobre isso.
_Sim, papai, eu fico triste com você às vezes e já senti
raiva...
_...Filha, o papai sabe, porque eu também sinto raiva das
pessoas que amo quando elas me magoam. Mas eu te amo mesmo sabendo disso, e
jamais te castigaria. Pode acreditar que essa Força Maior age da mesma forma...
Aliás, age com certeza muito melhor do que eu, afinal eu sou apenas um humilde
filho dela, assim como você. Não se preocupe com isso. É capaz que você ainda
se sinta mal com toda essa tristeza que você está vivendo, mas você vai ver
como o tempo vai curar tudo. E a Força Maior entenderá tudo isso, e intercederá
por você e por todos nós. Não sinta medo. E tenha fé. Lembre-se, seu pai está
com você.
Pai e filha de mãos dadas retornaram à trilha continuando
o caminho de volta. A força da natureza os abraçava em silêncio... Abençoando
todas as trilhas da vida nas quais ambos iam caminhar ainda.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
O colinho de Jesus para dormir...
Está tendo alguma dificuldade para dormir? Tem passado por problemas que literalmente têm tirado seu sono? Ou ainda, não tem problemas para dormir mas está indo triste e amargurado? Tem acordado cansado(a), desanimado(a)?
Então, na próxima vez que você dormir, tente o seguinte...
Imagine-se chegando num lugar que lhe agrade. Pode ser um jardim, uma praia, um bosque (com direito ao som de passarinhos ou água num riacho se você quiser), ou uma sala confortável com decoração aconchegante e quem sabe uma música tranquila, sua igreja, enfim, o ambiente que você quiser. Imagine que você está vestindo uma roupa bem leve e fresca. Ande calmamente. Em seguida, sentado no canto de um banco (ou de um sofá), você vê Jesus. Vá até Ele, que te oferece uma almofada confortável. Pegue essa almofada... Coloque no colo d'Ele, estenda-se no banco e deite sua cabeça em Seu colo...
É dia ou noite? Você decide...
Aí você pode imaginar o mais absoluto silêncio entre ambos, quebrado apenas pelos agradáveis sons do ambiente, ou ainda, você pode imaginar que Ele lhe diz algo que te conforte ou tranquilize. Pode imaginá-Lo acariciando seus cabelos se quiser. Enfim, a meditação é sua. Respire profundamente e devagar, até simulando uma respiração parecida com a que temos quando dormimos. Permita-se ficar assim por um tempo até que se sinta mais tranquilo(a), se é que você não dormirá antes.
É algo simples de ser feito, porém costuma funcionar para quem acredita. E, claro, você pode escolher outro ser de luz (Maria de Nazaré, um anjo que pode ser o seu anjo da guarda, enfim, qualquer entidade na qual você tenha fé.), outros ambientes, outros sons, sentir aromas...
Para aqueles que não aceitam imagens de divindades, você nem precisa imaginar um rosto, apenas uma forma humana já pode ser mais do que suficiente.
Para mim era infalível, raramente eu conseguia chegar até o fim porque dormia antes. Conheço mais de uma pessoa que fez e gostou. Realmente funciona, e por quê? Acalma nosso pensamento... Desvia nosso foco do problema para a visão de um ser de luz e de um ambiente que nos transmite paz e tranquilidade. Muitos de nós temos mais facilidade em encontrar auxílio quando estamos vendo algo que nos agrada.
E para quem acredita... Pensar em Jesus de uma maneira tão acolhedora afasta qualquer negatividade ou má influência que não conseguimos ver, mas que nos rodeiam sem que muitas vezes percebamos.
Projetar-se num ambiente com um ser de luz ofuscará e neutralizará as sombras que podem estar à nossa volta!
Então, na próxima vez que você dormir, tente o seguinte...
Imagine-se chegando num lugar que lhe agrade. Pode ser um jardim, uma praia, um bosque (com direito ao som de passarinhos ou água num riacho se você quiser), ou uma sala confortável com decoração aconchegante e quem sabe uma música tranquila, sua igreja, enfim, o ambiente que você quiser. Imagine que você está vestindo uma roupa bem leve e fresca. Ande calmamente. Em seguida, sentado no canto de um banco (ou de um sofá), você vê Jesus. Vá até Ele, que te oferece uma almofada confortável. Pegue essa almofada... Coloque no colo d'Ele, estenda-se no banco e deite sua cabeça em Seu colo...
É dia ou noite? Você decide...
Aí você pode imaginar o mais absoluto silêncio entre ambos, quebrado apenas pelos agradáveis sons do ambiente, ou ainda, você pode imaginar que Ele lhe diz algo que te conforte ou tranquilize. Pode imaginá-Lo acariciando seus cabelos se quiser. Enfim, a meditação é sua. Respire profundamente e devagar, até simulando uma respiração parecida com a que temos quando dormimos. Permita-se ficar assim por um tempo até que se sinta mais tranquilo(a), se é que você não dormirá antes.
É algo simples de ser feito, porém costuma funcionar para quem acredita. E, claro, você pode escolher outro ser de luz (Maria de Nazaré, um anjo que pode ser o seu anjo da guarda, enfim, qualquer entidade na qual você tenha fé.), outros ambientes, outros sons, sentir aromas...
Para aqueles que não aceitam imagens de divindades, você nem precisa imaginar um rosto, apenas uma forma humana já pode ser mais do que suficiente.
Para mim era infalível, raramente eu conseguia chegar até o fim porque dormia antes. Conheço mais de uma pessoa que fez e gostou. Realmente funciona, e por quê? Acalma nosso pensamento... Desvia nosso foco do problema para a visão de um ser de luz e de um ambiente que nos transmite paz e tranquilidade. Muitos de nós temos mais facilidade em encontrar auxílio quando estamos vendo algo que nos agrada.
E para quem acredita... Pensar em Jesus de uma maneira tão acolhedora afasta qualquer negatividade ou má influência que não conseguimos ver, mas que nos rodeiam sem que muitas vezes percebamos.
Projetar-se num ambiente com um ser de luz ofuscará e neutralizará as sombras que podem estar à nossa volta!
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