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quarta-feira, 13 de março de 2019

O interesse por tragédias

Como 2019 mal começou e já será lembrado por tantas tragédias... Essa postagem creio que venha a calhar.

Em geral, as pessoas têm um interesse exagerado quando acontece algo que gera comoção geral. Logo querem saber o que houve, para já entrar, ver detalhes, fotos, sair espalhando detalhes, etc... 

Mas aí eu me pergunto? Para quê??? E logo vêm as justificativas:

"Para saber o que está acontecendo... (E o que vai mudar na sua vida?)"

"Para me manter informado... (Não é melhor você perder tempo querendo saber do seu time, de economia, de política, de comportamento?)"

"Ah, porque eu fico curioso(a)... (Em saber da desgraça alheia?)"

E a imprensa, principalmente a sensacionalista, simplesmente "deita e rola", porque esse tipo de coisa, infelizmente, dá audiência, vende jornais, revistas, e muito!

Outro dia ouvi o programa de um metafísico que disse algo muito interessante: Quando se sabe de uma tragédia, ao entrar na notícia para pegar mais detalhes, as pessoas ficam tristes, dependendo do caso revoltadas... Às vezes ficam tão arrasadas como se tivesse acontecido com elas ou com alguém próximo. Por empatia, por compreensão da dor, por solidariedade, mas... Isso ajuda? NÃO! Para quem acredita que o pensamento se propaga, que as energias se espalham e se atraem, pense: Onde houve a tragédia, já fica uma energia para lá de pesada, extremamente densa. Se chegar mais energia de tristeza, de dor, de revolta... Tudo vai ficar ainda pior para aquelas pessoas. A melhor maneira de ser solidário na dor é VIBRAR POSITIVAMENTE. VIBRAR AMOR, COMPAIXÃO, ORAR SE VOCÊ TIVER ALGUMA CRENÇA... Quando souber do ocorrido, não olhe fotos, não pegue detalhes... Será tão comentado que você vai ficar sabendo.

"Ah, você fala isso porque não é com você..." Olha, gente, nossa vida traz tantas surpresas que é melhor deixar para sentir tristeza quando realmente acontecer com você, ou próximo a você. Ou você acha "um pecado" não se deixar abater por essas coisas? Isso não é falta de solidariedade, é sensatez. Se a pessoa não pode fazer absolutamente nada, para que se deixar abater? 

Ficar postando detalhes de tragédias não ajuda ninguém, apenas a fortalecer a "nuvem de desespero" sobre o assunto. 

Quer postar algo sobre um ocorrido triste? Poste uma maneira de ajudar. De locais para receber donativos. Números de contas bancárias de organizações de auxílio. De locais que recebem voluntários para auxiliar. Uma oração, que seja... E só vá atrás de detalhes se você realmente precisar deles para ajudar.

E, principalmente: Vença a tentação de ficar espalhando fotos, principalmente de pessoas mortas ou acidentadas. Pense no direito de discrição. Pense nas pessoas. Pense nas famílias delas.  Isso é falta de respeito e invasão de intimidade.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

“Ele(a) era minha alma gêmea... Não conseguirei ser feliz com mais ninguém!”

Acredito que esse seja um dos pensamentos mais tristes e pessimistas que alguém pode ter. Perder aquele(a) que consideramos, ou considerávamos, uma alma gêmea, seja por decepção ou por falecimento, é realmente algo que desestrutura o emocional de qualquer um.

Vejo gente que há anos está presa nessa situação, nunca mais ouviu nem falar de seu amor perdido, às vezes está até com outra pessoa, mas não consegue esquecer. E talvez nem pelo fato da pessoa ter sido tão especial, mas pelo sentimento que ela deixou de “herança”.

O que vem a ser alma gêmea, todos nós já ouvimos falar. Teorias a respeito não faltam. Uma única alma que foi criada e dividida em duas partes que têm a missão de se encontrarem, ou simplesmente espíritos com muita afinidade que se encontram há várias vidas (para quem acredita nisso), ou alguém que amamos tanto que simplesmente elegemos como tal, e muito mais teorias. Há até uma que diz que todos somos em sete almas gêmeas.

Eu particularmente não acredito nisso. Acredito que todos somos “inteiros”. E que se temos ou tivemos a sorte de encontrar alguém com tanta afinidade, ou sem nem tanta afinidade mas com um amor tão grande que queremos ficar juntos com essa pessoa, é por puro merecimento ou missão, não por ser “nossa metade perdida”.

Mas para quem acredita, e para você que vive a dor dessa perda, será que vale tanto a pena, especialmente se você se decepcionou com a pessoa? Será que você não merece encontrar a felicidade com outra pessoa? Não se feche tanto... Até porque um dia você encontrou essa pessoa pela primeira vez... Será que você não pode ter outro “primeiro encontro” com alguém que pode ser igualmente ou até mais especial do que aquela que deixou saudades?

Para quem acredita que viveu outras vidas, e acredita (ou descobriu) que em todas as vidas passadas viveu com essa pessoa, vale a mesma possibilidade acima. E se nessa vida você terá um encontro pela primeira vez com uma pessoa que fará parte não só desta, mas também de todas as outras que você irá viver? Às vezes a felicidade bate na nossa porta e estamos tão “fechados” em nossa mágoa e descrença que sequer percebemos...


E ainda, se realmente a teoria das sete almas gêmeas for a verdadeira... Você tem mais almas para se preocupar então não gaste toda a sua energia com essa (risos)!

sexta-feira, 25 de março de 2016

"Meus pais/avós não admitem que precisam de auxílio..."

Quem já conviveu com idosos, especialmente na família, já deve ter conhecido alguns que insistem em não querer receber nenhum tipo de auxílio, mesmo quando é notável que já não possuem a mesma mobilidade, os mesmos reflexos, a mesma memória, a mesma noção de perigo.

É uma situação extremamente preocupante. Muitos não aceitam ir morar com os filhos, não aceitam ter acompanhantes ou enfermeiros para ajudarem a tomar conta, não gostam que os familiares tomem iniciativas como levá-los aos médicos, a fazer um supermercado para eles, etc... Enfim, um drama. E acabamos os vendo como "teimosos" ou orgulhosos.

O que fazer nesses casos? Cada família acaba encontrando seu meio de resolver o problema. Não é o que pretendo abordar por aqui, e sim, estou buscando entender o porquê dos nossos idosos agirem dessa maneira. Pode ao menos auxiliar na nossa compreensão com eles, e consequentemente, ajudar a renovar nossa paciência.

Eu creio que boa parte dos idosos de hoje seja a primeira geração a enfrentar isto. Pense que até há poucos anos atrás, os idosos dificilmente viviam tanto como vivem hoje. Ou ficavam doentes e nesse caso não tinham como recusar cuidados, ou faleciam muito mais cedo do que os de hoje. O corpo muitas vezes adoecia antes da cabeça começar a dar sinais de cansaço, o que não acontece hoje. Com os avanços da medicina e da farmacologia, os idosos têm alguns anos a mais de sobrevivência, mais fisicamente do que psicologicamente. E eles passam a não ter noção de que a saúde deles está deteriorando... Mas por quê?

Talvez a resposta esteja no passado deles. Eles não viram provavelmente seus pais ou avós viverem tanto tempo, logo, não têm noção porque não tiveram a vivência e o convívio com alguém cuja saúde física e mental foi ficando cada vez mais frágil. Se tivessem tido, pode ser que teriam vivenciado e "registrado" na memória e no subconsciente, conseguiriam ter mais consciência da situação que vivem agora e consequentemente uma melhor aceitação.

Claro que alguns idosos são mais "manhosos" e mesmo não precisando querem chamar a atenção requerendo cuidados além dos que eles realmente precisam, gostam de "vitimizar". Mas para aqueles que sempre foram bem ativos, independentes e "donos de si" realmente é um enorme desafio para eles admitir que precisam de ajuda... Talvez o desafio deles em aceitar seja maior do que o nosso em ter que entender e tomar atitudes. Afinal, é muito melhor ajudar do que ser ajudado... Tendo essa compreensão, certamente nossa paciência será auxiliada.

Pode ser que a próxima geração dos idosos que viverão muito, tenha uma consciência mais desenvolvida a respeito. Vale a reflexão, por mais jovens que sejamos, para no futuro não darmos tanto trabalho para nossos familiares. É triste, mas pode acontecer, então sejamos realistas...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

...e se eu não me casar ou tiver filhos? Ficarei desamparado, na solidão...?

Essa é a pergunta que fazem 9 entre 10 pessoas que optam por ficarem sozinhas, ou que simplesmente não optaram mas estão mesmo assim...

E gente para dar palpite a elas, ou para "colocarem-nas para baixo", é o que não falta.

"Ah, mas você tem que se casar pelo menos uma vez na vida... Ou ao menos ter um(a) companheiro(a) mesmo que não more na mesma casa!"

"Filho é a melhor coisa do mundo, não é possível que você não queira ter um..."

E a clássica: "Quem vai cuidar de você quando chegar à velhice?"

Mas hoje é possível perceber que a juventude atual e o pessoal de seus 40 e poucos anos será praticamente a primeira geração com tanta gente que sim, vai chegar à terceira idade sem ter construído uma família. Muitos por opção, alguns nem tanto mas que seguem o velho ditado "antes só do que mal acompanhado(a)", e por muito mais motivos. Até porque hoje em dia não há aquela obrigatoriedade de casar, nem aquela pressão absurda que a sociedade e família faziam. Não que hoje não haja, mas ao menos, as pessoas começaram a aceitar melhor esse fato. Podem até dizer isso só na teoria e no fundo, conscientemente ou não, acham que "o certo" seria construir família. Mas já é alguma coisa, vai... É um sinal de que aos poucos esses conceitos serão amadurecidos.

Não que construir uma família seja algo ruim, claro que não, certamente é maravilhoso. Mas não deve ser visto como regra.

E a grande preocupação... Afinal, como será a velhice?

É claro que isso passa pela cabeça. Até porque, se esta é a primeira geração de futuros idosos que não construíram famílias, preocupa mesmo, porque não existe referência de como será. A única referência que temos é de uma maioria que construiu família e teoricamente não está só (bem teoricamente, porque conheço muitos idosos praticamente abandonados pelos filhos. Talvez, mais triste do que não ter filhos seja tê-los mas sofrer o descaso e abandono).

Mas eu creio que, se o mercado já pensa nessa futura população, ainda que timidamente (já começaram a surgir por exemplo condomínios voltados à terceira idade, com enfermeiros de plantão), no futuro as pessoas solteiras certamente terão uma estrutura e possibilidades de viver com tranquilidade.

Estávamos acostumados a ver nossos avós e bisavós muito doentes, ou há muito tempo aposentados, ou que faleciam cedo. É essa a visão que temos da velhice há um tempo atrás. Mas, olhe para a geração da terceira idade e idosos de hoje. Muitos são ativos economicamente, saem para dançar, cuidam da saúde, viajam, como algumas gerações de idosos atrás não fazia. Com a medicina avançando, com as pessoas sendo obrigadas a parar de trabalhar bem mais tarde (até porque os valores que a previdência paga pela aposentadoria nunca são suficientes, e considerando também que agora todo mundo será obrigado a trabalhar muito mais do que as gerações anteriores), e com o avanço da tecnologia... O mercado será obrigado a criar soluções, facilidades, produtos e serviços para essas pessoas. Aliás, certamente haverá grandes oportunidades para empresas que se voltarem a essa fatia de mercado.

E quanto à solidão... Essas pessoas terão alguns familiares, amigos (por isso, nunca podemos deixar de cultivar os que já temos e conquistar novos), e com certeza terão como conviver com pessoas na mesma situação que elas.

Quanta gente vive um casamento infeliz, quanta gente casa sem plena consciência do que está fazendo (só porque a sociedade influencia).... Se você se identifica com isso, pense bem se é isso que você quer. Tome cuidado para não sofrer, ou fazer alguém sofrer se no fundo o que você gostaria era estar sozinho, ou sem aquela pessoa...

E independente de como será... Além da vida ser sábia (confiemos no processo e na perfeição dela),  acima de tudo, nosso futuro depende única e exclusivamente de nós. Nossa felicidade não depende de esposo(a), filhos, nem de ninguém. Claro que convívio, termos pessoas para amarmos e sermos amados por elas é muito importante e faz parte da vida, mas acima de tudo, temos que aprender a olhar para nós mesmos e lembrar que a única pessoa que estará conosco, garantida, até nosso último suspiro ou até nosso último momento de lucidez, será nós mesmos

Esqueçamos das teorias do amor romântico, de achar nossa metade (afinal nascemos inteiros), de entender os filhos como extensão das pessoas... Porque dizer "não consigo viver sem você" só deve ser dito para o espelho!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

As Descobertas de Fernanda

As descobertas de Fernanda

Deitada em sua cama, abraçada a uma almofada, Fernanda chorava. Sua mãe, Elisa, havia falecido quinze dias antes. A avó paterna, dona Linda, entrou no quarto, chamando-a para jantar.

_Vamos, Fernanda, comer um pouquinho. Sei que tudo isso é muito difícil, mas você precisa se alimentar, querida... Você tem 10 anos, está em fase de crescimento.

_Vovó, estou sem fome. Queria minha mãe de volta... Por que ela teve que partir?

_Todos nós queríamos sua mãe de volta, meu bem. Mas existem coisas que não têm explicação. Acredite que Deus sabe o que faz.

_Deus? Duvido que exista... E se existe, não é tão bom como falam... Como pode, levar uma pessoa tão boa como era a mamãe?

_Fernanda, sua mãe ficaria muito triste se te ouvisse falando assim... Ela era uma mulher de muita fé, e quis muito passar isto para você...

_Não importa, vovó. Agora ela não está mais aqui, não está me ouvindo... Agora, por favor, me deixe um pouco sozinha, estou sem fome mesmo...

E desatou a chorar de novo. Dona Linda achou melhor deixá-la sozinha mesmo. Ao descer as escadas, Zeca, seu filho e pai de Fernanda, perguntou por ela:

_Mãe, e a Fernanda? Não vai jantar?

_Está chorando, Zeca. Quer a mãe de volta, e está se perguntando se Deus existe mesmo... E quis ficar sozinha. Achei melhor deixá-la.

_Vou falar com ela. Tenho algo em mente, e já sei o que fazer. Ela também já me disse que não acredita em mais nada. E ela é muito jovem para perder a fé na vida...

Subiu até o quarto de Fernanda. E bateu na porta:

_Filhinha, posso entrar?

_Claro, papai...

Zeca entrou no quarto e Fernanda estava com o rosto todo vermelho, banhado em lágrimas. Abraçou a menina e disse:

_Fernanda, sei o quanto é duro para você. Para mim também é, você sabe o quanto eu e mamãe nos dávamos bem. Eu também estou muito abalado e tentando me adaptar sem ela... Tudo é muito difícil, a gente tem que se ajudar, filha... Venha, vamos descer e jantar um pouco.

_Papai, eu não aguento de saudades da mamãe... Não tenho vontade de nada.

_Filha, a mamãe não está mais aqui. Mas pense que seu pai está, e estará sempre com você. Então, é por mim que peço. Venha comer um pouco, estou muito preocupado com você, e tudo o que não preciso agora é de você doente por não se alimentar. Faça isso pelo seu pai... E por sua avó também, que tem feito o possível por nós.
Fernanda levantou-se. Pensou no que o pai disse, e de fato não queria trazer mais preocupações para ele e para a avó.

_Isso, filha. Vá lá lavar esse rostinho, penteie seus cabelos... E vamos jantar. Preciso de você forte e alimentada. Amanhã vou te levar para um passeio.

_Passeio, papai? Para onde? Eu não tenho vontade!

_Será uma surpresa para você. Vamos, mesmo sem vontade. Em algum lugar temos que estar amanhã, certo? E não precisa ser em casa. Será Sábado, vai fazer sol... E tenho certeza de que vai te fazer bem. Vamos, faça isso pelo seu pai. Vamos dormir cedo, iremos para um lugar não tão perto.

E de fato, Fernanda atendeu ao pedido do pai. Jantou, e no dia seguinte, bem cedinho, se preparava para sair. E como ele havia pedido, vestiu-se com roupas confortáveis e calçava tênis. Ao descer, viu que o pai levava uma mochila nas costas.

_Pra que a mochila, papai?

_Faz parte do passeio, filhinha. Não faça perguntas, eu já disse que era uma surpresa.

E Fernanda não fez mais perguntas mesmo, até pelo seu desânimo.

Entraram no carro. Zeca saiu da cidade, entrou numa estrada, e a viagem seguiu. Chegaram numa pequena cidade do interior, bem arborizada. Uma estradinha de terra os conduzia a um lugar muito bonito. Fazia sol. Zeca disse:

_Sinta o cheiro do mato, Fernanda! Ouça o canto dos passarinhos! Sair da cidade grande nos faz tão bem, não faz?

Zeca emocionou-se, porque falou exatamente o que Elisa diria se estivesse ali também. Fernanda sentiu que o pai fazia um esforço tremendo para anima-la apesar da tristeza que ele não conseguia esconder também. E sabia que ele estava fazendo tudo isso por ela, então ela procurou se animar.

E finalmente chegaram ao destino. Zeca estacionou o carro, desceram e entraram numa reserva florestal.

_Aqui começa nossa aventura, Fernanda. Vamos andar numa trilha! Espere um pouco aqui, vou registrar nossa entrada. Um guia irá nos acompanhar e ele já deve estar nos esperando.

Fernanda viu de longe seu pai conversando com o guia por uns minutos. Em seguida, ambos vieram até ela. O guia se apresentou:

_Bom dia, Fernanda, prazer em conhecê-la! Meu nome é Samuel, mas pode me chamar de Samuca. Irei acompanhá-los na aventura.

_E para onde vamos?

_Não posso contar! Senão estragarei a surpresa que seu pai quer fazer para você. Vamos lá? O caminho é longo.

Mesmo triste, Fernanda foi seguindo o pai e o guia. Conversaram sobre o dia bonito que fazia, sobre o ar fresco que refrescava a sensação do sol quente... E do quanto Elisa gostaria de estar ali com eles. Elisa, Zeca e Fernanda sempre gostaram de ter contato com a natureza. Alguns trechos eram difíceis, Fernanda até se queixou um pouco:

_Papai, estou cansada...

_Tenha um pouco de paciência, filha. Ás vezes é preciso ter um pouco de trabalho para alcançarmos coisas boas. E acredite, você vai adorar. Não vai, Samuca?

_E como vai! Será um sucesso, Nanda!

 Num momento da trilha, Zeca disse:

_Filha, aqui começa minha surpresa para você. Vou vendar seus olhos. Confie no seu pai, ok?

Zeca vendou os olhos de Fernanda e pediu que ela aguardasse um pouco. Ela ouviu que ele e Samuca pegavam outras coisas na mochila e ficou se perguntando que surpresa seria aquela. Zeca disse a ela:

_Vamos, Fernanda, segure minha mão. Vamos andar bem devagar, vou te orientando para você não tropeçar.
E foram andando. Logo em seguida, ele disse:

_Não se assuste, mas vamos pisar em um pouco de água agora. Não se preocupe em molhar seus tênis porque trouxe outros para você na mochila.

Fernanda começou até a ficar um pouco mais animada:

_Oba, então pelo jeito essa surpresa vai ser divertida... Embora a mamãe não gostaria nada, nada de saber que eu estou molhando os pés.

_É verdade. Ela nos daria uma bela bronca agora se nos visse de onde está. Mas vamos. E a água pode estar gelada, mas logo vamos nos acostumar. Só os seus pés irão molhar.

_Ui, papai, que água gelada. Nós estamos em um lago?

_Pode-se dizer que sim, Fernanda. Logo você vai ver o que é!

Andaram mais um pouco, saíram do lago. Ao continuar o caminho, Fernanda percebia que tudo parecia estar ficando mais escuro. Apesar da venda nos olhos, deu para perceber quando a claridade do sol sumiu, bem como, quando o calor dele parou de tocar sua pele.

Zeca parou de andar. E disse:

_Pronto, filha. Pode tirar a venda dos olhos. Mas fique onde está, não saia de perto de mim. E não tenha medo.
Fernanda tirou a venda dos olhos, mas viu-se numa escuridão total. Não enxergava nada. Olhou para cima, para baixo, para os lados... Mas tudo era escuridão total. Zeca esperou que ela se manifestasse:

_Papai, por que está tudo tão escuro? Que lugar é este?

_Você já vai ver, querida... Agora, Samuca!

Zeca e Samuca acenderam uma lanterna. Fernanda olhou ao redor, e ao ver o ambiente iluminado, ficou maravilhada:

_Noooossa, papai! Mas isso é... Isso é uma caverna!!! Como as que vi nas fotos que você me mostrou!!! Eu sempre quis conhecer uma!

_Sim, Fernanda, é uma caverna. Fiz questão de te trazer num salão bem escuro dela para fazer a surpresa. Agora, vamos, coloque o seu capacete, e também tem uma lanterna nele para que você consiga enxergar tudo melhor, igual ao meu. E se sentir frio, tenho uma blusa para você na mochila. Pode estar o calor que for lá fora, a temperatura aqui pouco irá variar. E trouxe um lanche, com tudo o que você gosta, para podermos repor as energias quando sairmos daqui.

Pela primeira vez em 16 dias, Fernanda sentiu-se animada. Seus pais sempre diziam que a levariam para conhecer uma caverna e ela sempre esperou por isso. Zeca ajudou-a a colocar o capacete, e ela de fato estava muito contente. A terceira lanterna acesa melhorou ainda mais a visão dos três aventureiros.

Era um bonito salão o que estavam. Fernanda foi olhar de perto as formações: Estalactites, estalagmites, cortinas, colunas... Ela conhecia tudo por fotos, já tinha lido bastantes coisas a respeito, mas vê-las de perto era muito mais emocionante.

_Fernanda, lembre-se de que a natureza trabalhou anos e anos para isso. E ainda não terminou seu trabalho. Essa caverna em que estamos, por ter água, o que você achou que era um lago, significa que ainda está em formação, lembra-se disso?

_Sim, papai, eu me lembro. E olha que legal, as gotinhas caem tão devagar das estalactites...

_Fernanda, lembre-se de não tocar em nada, principalmente onde tem as gotinhas, senão você destrói anos de trabalho da natureza, que precisa de tempo para construir com perfeição essas lindas formações.

Ela observou cada canto do salão onde estavam. E Samuca foi conduzindo pai e filha para outros salões da caverna. Todos tinham formações interessantes de se ver, de formatos e colorações diversas. Fernanda estava encantada com tudo o que estava vendo. Era tudo muito lindo, um verdadeiro presente da natureza.

Ficaram aproximadamente uma hora dentro da caverna. E fizeram um lanche, e em seguida, toda a trilha de volta. Zeca agradeceu Samuca por tê-los acompanhado:

_Muito obrigado, Samuca! Quando eu vier novamente vou te chamar para nos acompanhar.

_Eu é que agradeço, Zeca. Venha sempre que possível. Aqui no parque tem muitas coisas lindas para ver. A Fernanda vai adorar.  E... Muita força, muita luz para vocês.

Samuca abraçou Zeca, e em seguida, abraçou Fernanda também. E a ela disse:

_Adorei conhecê-la, Fernanda. Espero vê-la de novo em breve. E... Sinto muito por sua mãe... Seu pai me contou tudo. Espero que você consiga superar logo essa fase tão difícil. Viva, e deixe seu pai viver também! Agora, vou deixar você e seu pai. Ele tem algumas coisas importantes para te falar.

Fernanda chorou um pouco. Zeca segurou em sua mão e foi levando a menina para uma outra trilha, desta vez bem mais curta, procurando distraí-la com outras coisas. Logo em seguida, chegaram num lindo lugar, com uma cachoeira.

_Vamos nos sentar naquela pedra e contemplar esse lugar... É muito bonito.

Sentaram-se. A menina começou o assunto:

_Papai, o Samuca disse que você tinha coisas importantes para me falar... O que é?

_Tenho, sim, Fernanda. Você gostou de tudo o que viu hoje? Gostou da caverna, gosta desse lugar em que estamos agora?

_Sim, papai, é tudo muito lindo...

_E você tem ideia de quem criou tudo isso?

Fernanda ficou quieta. Abaixou um pouco a cabeça, ficou pensativa. Olhou para a cachoeira, olhou para o rio, olhou para o céu...

_Já sei. Você vai me dizer que foi Deus. Mas não estou acreditando muito n’Ele...

_E por que você acha que eu diria a você que é Deus?

_ É o que a maioria das pessoas diz.

_Filha, vou repetir a pergunta. Não estou pedindo para você dizer que é Deus, e muito menos pedindo para que você acredite n’Ele. Quem você acha que criou tudo isso?

_Não sei, papai. Uma “coisa”... Ou alguém com muito poder.

_Mas você acredita que exista algo ou alguém que criou tudo isso, certo? Afinal, se tudo isso que existe está aí, surgiu de alguma forma... Concorda?

_Sim, papai... Mas acho que essas coisas deveriam ser explicadas para a gente.

_Fernanda, há muitos mistérios da natureza que a humanidade precisa desvendar. Existem várias teorias a respeito, tanto na ciência como nas religiões e crenças... Mas nada é certo. Os homens estão aí, vivendo na Terra há uns 200.000 anos, mas até hoje não desvendaram quase nada. E se é assim, significa que ainda não evoluímos o suficiente para ter esse conhecimento, por mais que a ciência cresça, o caminho ainda é longo. Um dia, acredito que tudo isso será explicado. Mas enquanto isso não acontece, é importante lembrarmos que se estamos aqui, somos parte da natureza... Que uma força desconhecida nos criou. Isso é ter fé na vida, Fernanda. O que você acha?

Ela se calou. Não conseguia responder nada, e seu rostinho mostrava profunda tristeza. Como continuou em silêncio, Zeca continuou:

_Fernanda... Responda-me uma coisa. Logo que vendei seus olhos na trilha, andamos um pouco e pisamos na água. Você me perguntou se estávamos em um lago. Mas onde estávamos de verdade?

_Na caverna.

_Certo. E por que você achou que era somente um lago e não uma caverna?

_Porque foi na primeira coisa em que pensei, e senti a água nos pés... Eu não podia ver que era uma caverna.

_E você nunca havia estado numa caverna antes. Isso também ajudou você a não pensar que podia ser uma caverna, concorda?

_Sim, concordo. Mas o que você quer dizer com tudo isso?

_Quero dizer, filha, que a gente deduz as coisas à medida que vamos adquirindo conhecimentos. Mas que nem sempre deduzimos o que é correto. A gente tira conclusões de acordo com aquilo que sabemos naquele momento. E à medida que vamos aprendendo mais, vamos começando a questionar mais. Se eu vendar seus olhos numa nova trilha e você pisar em água de novo, daqui para frente vai se perguntar se está num lago ou numa caverna. Então, vale a pena pensar se acreditamos ou não em certas coisas, bem como, se aquilo que deduzimos pode ter outras respostas. Que tal pensar um pouco nisso?

Novamente Fernanda se calou. Após um tempo, o pai fez nova pergunta:

_Outra coisa, filha. Quando vendei seus olhos... Você sentiu medo?

_Não, papai, não senti.

_Quando pedi para você caminhar de mãos dadas comigo, você não podia ver nada. Quando falei para você tirar a venda dos olhos e tudo continuou escuro, falei para você não ter medo. Por que você não teve medo?

_Porque eu acredito em você, você é meu pai...

_E  você confia em mim, mesmo sem saber para onde eu estava te levando... Certo?

_Certo.

_Então, Fernanda. Será que a tal força desconhecida que criou o mundo, inclusive este pequeno pedaço dele que estamos visitando hoje, não faz o mesmo com a gente?

Fernanda pensou um pouco e disse:

_É... Pode ser. Mas por que faria a gente sofrer? Você me levou num lugar lindo sem eu saber. Essa “tal força” às vezes nos faz sofrer! Você não me fez sofrer.

_Fernanda... Nem tudo tem explicação. Hoje eu te trouxe num lugar bonito. Há umas semanas atrás, tive que brigar com você, que não fez a lição de casa e escondeu de mim e de sua mãe, lembra-se disso? Você ficou triste e chorou bastante. Fiz você sofrer, não fiz?

_Sim, fez...

_E mesmo tendo brigado com você, você sabe o quanto te amo, filha... E sabe que fui obrigado a brigar com você para que aprendesse a ter mais responsabilidade e a não mentir mais. Na hora você não percebeu isso, mas agora  sabe que fiz isso para que você cresça, não sabe? E que continuarei fazendo se for preciso...

_Sim, papai... Eu sei.

_Então, filha. Você acredita no seu pai, mesmo sabendo que ele pode te trazer alegrias e te deixar triste de vez em quando. Estou certo?

_Está!

_Filha querida... Isto se chama “fé”. Será que não é assim que essa força desconhecida age conosco?

Fernanda ficou em silêncio. Como não dizia nada, Zeca fez outra pergunta:

_Vamos, Fernanda. Olha, não precisa me responder nada agora. Sei que é muita informação para sua cabecinha, é muita coisa para você pensar... Mas preciso te falar essas coisas, filha. Você é tão jovem e está tendo que conviver com uma dor muito grande... Eu quero que você encontre forças para continuar, para não se entregar ao sofrimento e perder a fé em viver. E fé, Fernanda, é uma palavra que ouvimos muito quando o assunto é religião. Mas querida... Fé é uma palavra que pode ser usada em tudo aquilo que acreditamos. Podemos ter fé numa religião sim, mas podemos ter também em nossos amigos... Você pode ter na escola, quando faz um bom trabalho e espera que sua professora reconheça... Eu posso ter no meu trabalho... Um eleitor pode votar em um candidato na eleição por acreditar no trabalho dele... Tudo isso é fé, Fernanda. É acreditar em algo, independente de sabermos se o que esperamos vai se realizar ou não, e se aquilo em que acreditamos nos dará o que esperamos. E é preciso ter fé na vida, Fernanda, na energia que criou todo o universo. A gente não sabe praticamente nada sobre isto... Algumas pessoas acreditam em Deus, outras dão outro nome, há milhares de religiões que dão vários nomes a essa força, Fernanda. E há também quem não acredite em um “ser” exatamente, que são os ateus, mas que também não sabem explicar os mistérios do mundo... Você tem fé no seu pai, assim como podemos ter fé na força da vida.

_Ah, papai. Você eu vejo. Como posso acreditar naquilo que não vejo?

_Fernanda... Quando acendemos a luz, o que faz com que a lâmpada se acenda?

_A eletricidade.

_E você vê a eletricidade?

_Sim, papai, quando a luz acende.

_Não, Fernanda. Você vê o efeito da eletricidade, que é uma força invisível.

_Mas papai, se eu vejo que a luz acendeu, eu sei que foi a eletricidade que a trouxe!

_E quando você vê todas essas coisas lindas da natureza à sua volta... Quem foi que trouxe?
_Não sei...

_...Certo. Você não sabe, e eu também não. Mas foi uma força invisível também, assim como a eletricidade. O homem já descobriu a eletricidade, vai descobrir outras coisas também. Mas existe uma força invisível que criou a natureza que você vê. Concorda com isso?

_Sim, papai, concordo... Mas acho que vou acreditar quando o homem descobrir.

_Fernanda, os efeitos dessa força estão aí para a gente ver e acreditar nela. Mas tudo é questão de tempo. Vamos pensar naquelas estalactites que você viu na caverna. Geralmente elas crescem de 6 mm a 25 mm a cada 100 anos. Tem noção do que é isto, do tempo que elas demoram para se formar?

_Nossa, tudo isso?

_Sim. Tudo isso. Demora esse tempo todo. E não são belas, mesmo em formação?

_Sim, são lindas!

_É isso, filha... Há coisas belas em formação, e são belas mesmo enquanto ainda não estão prontas. Assim como nós e a humanidade em geral... Gostaria que você pensasse em tudo isso.

_Mas eu queria ainda entender por que a mamãe teve que ir embora, papai... Eu sinto tanta saudade!

_Fernanda... Tudo isso é muito difícil para nós todos. Esse é um dos mistérios que demoraremos muito para descobrir, se é que um dia iremos. Mas, pense em outra coisa. Lá dentro da caverna, quando você tirou a venda, tudo continuou escuro, não continuou?

_Sim, eu não enxergava nada.

_E o que eu e o Samuca fizemos?

_Acenderam as lanternas, oras...

_Então. Nós acendemos as lanternas para iluminar a escuridão. É o que precisamos fazer na vida, minha pequena aventureira. É preciso encontrar motivos para levar luz onde está escuro... E o que aconteceu quando acendemos a sua lanterna também?

_Conseguimos enxergar ainda melhor.

_Sim, querida, quanto mais pessoas escolherem iluminar, mais visão e conforto todos terão... Fernanda, é isso que tenho tentado fazer todos os dias por você. Tudo vai continuar triste e difícil por um tempo, mas se ambos escolhermos iluminar... Será mais reconfortante. Juntos, teremos uma luz em dobro. Vamos tentar?

Fernanda abaixou a cabeça e começou a chorar...

_Por favor, filhinha... Olhe para mim! Aqui, bem nos meus olhos!

A menina olhou nos olhos do pai. Com os olhos também marejados, ele continuou:

_Eu... Não aguento ver você tão triste. Eu tenho muita saudade da sua mãe, sei que você também... E ver você sofrendo tanto... Aumenta ainda mais a minha dor. Não posso pedir que você não sofra, Fernanda, porque isso faz parte e não temos como fugir disso... Agora... Ver minha filha tão amada... Tão amarga... E tão descrente de tudo.... Eu... Não consigo...

A voz de Zeca foi ficando pausada e trêmula. Não conseguiu dizer mais nada. Abraçou a menina bem forte. E ali, abraçados, ambos choraram toda a sua dor, tendo apenas a natureza como testemunha.

_Papai, não chore...

_Nanda... Seu pai também sofre. É impossível ser tão forte a ponto de nunca chorar. Isso faz parte. Mas não se preocupe, eu estou bem. Apenas me diga que ao menos irá pensar em tudo o que conversamos! Lembre-se que estou pedindo simplesmente que você acredite na vida, mesmo que não saibamos por que algumas coisas tristes acontecem... E que você pense também em ter fé, independente da crença que você escolher ter, independente de ser a mesma que eu e sua mãe tínhamos! Isso é com o tempo, minha querida, mas saiba que estarei sempre aqui ao seu lado. Pode contar com seu pai para sempre. Tudo o que eu te disse pode levar um tempo para você assimilar. Vamos conversar sobre isso sempre que você quiser!

_Sim, papai... Eu vou pensar...

_Obrigado, filha. Já me conforta saber que ao menos você está disposta a tentar. Agora, vamos indo, minha pequena aventureira?

_Vamos, papai.

De mãos dadas, foram seguindo a pequena trilha de volta. Caminhavam em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. Desta vez, foi Fernanda quem cortou o silêncio:

_Papai... Preciso te perguntar uma coisa!

_Claro, o que você quiser!

Zeca parou na trilha, sentou-se numa pedra, pôs a menina no colo, que disse:

_Papai... Esses dias todos, de tão triste que fiquei, falei que não acredito em nada, e confesso que fiquei até com raiva de tudo isso... E também dessa “força maior”, como você diz, que deve saber que estou com raiva dela... Será que vou ser castigada de alguma forma por isso?

_Nanda... Confesse. Quando eu brigo com você, você fica triste comigo e às vezes sente até raiva, não sente?

Fernanda se calou.

_Filha, vá em frente. Pode falar. Seu pai está aqui para isso. Não tenha medo nem culpa do que você sente, nem de falar sobre isso.

_Sim, papai, eu fico triste com você às vezes e já senti raiva...

_...Filha, o papai sabe, porque eu também sinto raiva das pessoas que amo quando elas me magoam. Mas eu te amo mesmo sabendo disso, e jamais te castigaria. Pode acreditar que essa Força Maior age da mesma forma... Aliás, age com certeza muito melhor do que eu, afinal eu sou apenas um humilde filho dela, assim como você. Não se preocupe com isso. É capaz que você ainda se sinta mal com toda essa tristeza que você está vivendo, mas você vai ver como o tempo vai curar tudo. E a Força Maior entenderá tudo isso, e intercederá por você e por todos nós. Não sinta medo. E tenha fé. Lembre-se, seu pai está com você.


Pai e filha de mãos dadas retornaram à trilha continuando o caminho de volta. A força da natureza os abraçava em silêncio... Abençoando todas as trilhas da vida nas quais ambos iam caminhar ainda.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O colinho de Jesus para dormir...

Está tendo alguma dificuldade para dormir? Tem passado por problemas que literalmente têm tirado seu sono? Ou ainda, não tem problemas para dormir mas está indo triste e amargurado? Tem acordado cansado(a), desanimado(a)?

Então, na próxima vez que você dormir, tente o seguinte...

Imagine-se chegando num lugar que lhe agrade. Pode ser um jardim, uma praia, um bosque (com direito ao som de passarinhos ou água num riacho se você quiser), ou uma sala confortável com decoração aconchegante e quem sabe uma música tranquila, sua igreja, enfim, o ambiente que você quiser. Imagine que você está vestindo uma roupa bem leve e fresca. Ande calmamente. Em seguida, sentado no canto de um banco (ou de um sofá), você vê Jesus. Vá até Ele, que te oferece uma almofada confortável. Pegue essa almofada... Coloque no colo d'Ele, estenda-se no banco e deite sua cabeça em Seu colo...

É dia ou noite? Você decide...

Aí você pode imaginar o mais absoluto silêncio entre ambos, quebrado apenas pelos agradáveis sons do ambiente, ou ainda, você pode imaginar que Ele lhe diz algo que te conforte ou tranquilize. Pode imaginá-Lo acariciando seus cabelos se quiser. Enfim, a meditação é sua. Respire profundamente e devagar, até simulando uma respiração parecida com a que temos quando dormimos. Permita-se ficar assim por um tempo até que se sinta mais tranquilo(a), se é que você não dormirá antes. 

É algo simples de ser feito, porém costuma funcionar para quem acredita. E, claro, você pode escolher outro ser de luz (Maria de Nazaré, um anjo que pode ser o seu anjo da guarda, enfim, qualquer entidade na qual você tenha fé.), outros ambientes, outros sons, sentir aromas...

Para aqueles que não aceitam imagens de divindades, você nem precisa imaginar um rosto, apenas uma forma humana já pode ser mais do que suficiente.

Para mim era infalível, raramente eu conseguia chegar até o fim porque dormia antes. Conheço mais de uma pessoa que fez e gostou. Realmente funciona, e por quê? Acalma nosso pensamento... Desvia nosso foco do problema para a visão de um ser de luz e de um ambiente que nos transmite paz e tranquilidade. Muitos de nós temos mais facilidade em encontrar auxílio quando estamos vendo algo que nos agrada.

E para quem acredita... Pensar em Jesus de uma maneira tão acolhedora afasta qualquer negatividade ou má influência que não conseguimos ver, mas que nos rodeiam sem que muitas vezes percebamos. 

Projetar-se num ambiente com um ser de luz ofuscará e neutralizará as sombras que podem estar à nossa volta!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"...por que não aprendo isso ou não saio dessa de uma vez???"

Creio que todos já fizeram essa pergunta em algum momento da vida. Parece que certas coisas sabemos exatamente como deveriam ser, e outras, como gostaríamos de sentir e/ou agir totalmente diferente do que fazemos.

E, se sabemos disso... Por que "cargas d'água" não conseguimos estar ou agir como queremos?

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que não controlamos o que sentimos, por mais que queiramos. Às vezes custa para entendermos que não é porque achamos que determinada coisa é 'o certo', vamos dizer assim, que assim já somos. E isso gera vários conflitos e decepções conosco mesmos... O foco dessa postagem não é exatamente isso, se quiser saber mais sobre 'a arte de tentar controlar o que sentimos' leia mais no link http://venhaereflita.blogspot.com/2014/06/eu-estou-bem-apesar-de-tudo.html . E nossos sentimentos não possuem um botão "liga-desliga", e é preciso suportá-los por um tempo às vezes, mesmo que nos incomodem.

Mas a ideia dessa postagem é outra. É entender o valor do tempo no processo do aprendizado.

Claro que ninguém gosta de sentir tristeza ou qualquer outro sentimento que nos coloque "para baixo" ou que ainda nos faça nos sentirmos inferiores de alguma forma. Mas certas coisas precisam de tempo para serem entendidas e digeridas. A própria vida nos dá exemplos disso. Por exemplo, pense numa pessoa com um processo inflamatório. Ela vai ao médico e ele receita um comprimido duas vezes ao dia durante 15 dias. Ou seja, ao longo desse período, a pessoa vai tomar 30 comprimidos. Aí pergunto a vocês: A pessoa vai conseguir sarar se tomar os 30 comprimidos de uma vez? Claro que não, ela pode até se desintoxicar e certamente a inflamação não vai passar "de uma vez". Remédio se toma aos poucos, concordam? E temos também que estarmos cientes de que alguns medicamentos podemos tomar a vida inteira e não encontrar a cura... Assim como talvez teremos que saber lidar com determinadas fraquezas para sempre...

Quer um outro exemplo? Em geral, as pessoas precisam consumir 2000 calorias por dia. Em uma semana, temos 14000 calorias. Seria saudável e coerente ingerir 14000 calorias de uma vez e passar o resto da semana sem comer nada? Óbvio que não. A pessoa passaria mal no dia, e sentiria fome em outros.

Parecem exemplos bobos, mas não são. São exemplos de que na vida certas coisas precisam ser dosadas diariamente e tomadas aos poucos....

Portanto, não se cobre tanto em aprender algo 'de uma vez', ou ainda, de mudar seus sentimentos de uma hora para outra. É como está exemplificado. Na vida as coisas acontecem aos poucos. Um bebê precisa de pelo menos sete meses para se desenvolver no útero. Uma universidade se faz em média em 4 anos. Por que com nossos sentimentos e evolução pessoal deveria ser "imediato"? Nenhum ser humano tem condições de conseguir certas coisas de imediato apenas por querer. Querer é poder, sim, porém é preciso respeitar o tempo para a conquista.

Não temos capacidade física ou intelectual para receber aprendizados em doses "cavalares",  a vida é sábia nesse sentido e nos dá vários sinais de que é preciso entender que acima de qualquer realização ou conquista, está o tempo, como nos exemplos acima. Perder tempo é ruim, sem dúvida. Mas acredite que entender o processo de aprendizado e compreender os próprios limites não é perda de tempo, pelo contrário. É otimização dele. Querer 'correr' pode nos trazer uma falsa sensação de dever cumprido, sendo que no fundo não fizemos uma construção sólida. É como construir um castelo de areia porque vai bem mais rápido do que construir um de concreto.

Então, compreenda-se, acolha-se, aceite seus desafios e suas fraquezas, e tenha paciência com você mesmo. Todos nós temos alguns desafios a enfrentar. E é perfeitamente natural que nas horas mais difíceis tenhamos a sensação de que aquilo nunca vai passar (Leia mais sobre isso em http://venhaereflita.blogspot.com/2014/07/quando-chega-o-pior-momento-de-nossas.html ), mas passa sim. Inevitavelmente...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um suicida me ensinou...

Recentemente um conhecido meu cometeu suicídio. Não pretendo, nem tenho o direito, de julgar a atitude dele. O meu intuito é simplesmente passar o que aprendi com ele a vocês.

O único objetivo dessa mensagem é refletir sobre o tema. Em respeito à memória dele, não gostaria de ler comentários que o julgassem. Se o julgamento é inevitável, guardem para si, por favor.

Ele era uma pessoa de boa família... Muito bem estruturada financeiramente. Ele foi muito bem criado, teve oportunidades, e vivia muito bem.

Ele tinha uma personalidade forte, de opinião muito bem formada, sobre a vida em geral. Desde cedo deixou claro que jamais teria filhos e achava que ninguém deveria tê-los por toda a dificuldade que a vida oferece. Era filósofo a respeito, e participou de várias discussões filosóficas, escreveu muito sobre o tema. Defendia também o suicídio, até porque era totalmente ateu e nunca acreditou na vida após a morte.

Gostava de viajar, de experimentar coisas boas, era fã de carros, as viagens preferidas dele sempre envolviam as melhores estradas no mundo com carros potentes. Aqui no Brasil ele também era fã de velocidade, e apesar de ser ateu, descrente, fazia questão de preservar as outras vidas. Tanto que jamais corria nas estradas brasileiras durante o dia... Deixava para fazer isso na madrugada, ele se preocupava em não causar acidentes porque poderia prejudicar outras famílias.

E, certo dia... Enviou cartas a todos os amigos, aos pais... Comunicando a decisão do suicídio. Deixando claro que não tinha mágoas de ninguém, que não era uma pessoa triste, e que apenas estava pronto para partir, dizia que a decisão já havia sido tomada fazia muito tempo, que estava apenas aguardando a finalização dos projetos de vida... E como eles já estavam realizados, havia chegado a hora de interromper a sua própria vida. Para preservá-lo, não irei divulgar o nome dele aqui...

Quando as cartas começaram a chegar para as pessoas... Ele já havia cometido o suicídio.

Ele não parecia ser uma pessoa triste e com conflitos. Demonstrava muita frieza e racionalidade.

E, com isso, o que aprendi? Que há pessoas que por mais que tenham tudo para serem felizes na vida, não encontram motivação para nada. Que ter tudo aquilo que se deseja materialmente não significa plenitude. 

Portanto, você, que pode ainda se sentir incompleto por ainda não ter conquistado tudo aquilo que deseja, acredite: Nem isso garante sua satisfação. Existem coisas que não têm preço, e a sua vida é uma delas...

Isso mostra o quanto ter objetivos serve de motivação. Há também quem não tenha objetivo nenhum e encontre razão para viver. Seja como for... Reflita se realmente você deve se considerar infeliz ou incompleto por ainda não ter realizado ou conquistado tudo aquilo que tem em mente.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Por que nem sempre teremos sucesso em tudo?

Você lutou. Deu o melhor de si. Correu atrás. Pesquisou, estudou cada passo que deu e... Deu errado, mesmo tendo a certeza de que fez tudo certinho. E frequentemente por motivos totalmente inesperados, por interferências de coisas que apareceram de repente.

Pode parecer até injusto. Eu sinceramente não sei o que é pior: Fracassar por erros nossos mesmos (porque nos culpamos) ou por interferências externas que "nem sabemos de onde veio".

Às vezes a resposta é simples. Pode ser que simplesmente não consigamos enxergar os erros que cometemos e levaremos um tempo para entender (ou não, caso se trate de uma pessoa "teimosa" que jamais admite estar errada)... Pode ser também que não tivemos malícia ou vivência para lidar com os fatores externos que causaram a "má interferência".

Mas, além disso... Pode ser simplesmente a vida tentando nos ensinar:

-Que decididamente não temos controle sobre as coisas que acontecem... Todos sabemos que na vida nada é certeza, que de um minuto para outro as coisas podem mudar. 

-Nos ensinar a perder, a sermos mais humildes. Imagine só ter sucesso a vida toda. Poderia nos tornar arrogantes, "mimados", e ainda, intolerante aos erros alheios, afinal, se só tivéssemos sucesso o tempo todo, por que os "incompetentes" que nos rodeiam não poderiam ser melhores do que são?

-A não desistirmos. Um fracasso seguido de nova tentativa nos torna mais resistentes, e certas coisas na vida só podem ser realizadas por quem é realmente perseverante e batalhador, não por quem fracassa e desiste.

Ou pode ser a vida nos permitindo errar para nos proteger, para que não cometamos um erro pior mais para frente.

E creio também em outra possibilidade: Por mais triste que fiquemos... Seremos exemplos para outras pessoas, e podemos ser escolhidos pela vida para fracassar para que outras pessoas observem nossos erros para não cometê-los, ou simplesmente, enxergarem que, por mais que uma pessoa se esforce, seja correta e batalhadora... Ela também pode fracassar.

E já parou para pensar que o grande fracasso aparente pode acontecer para que você receba algo muito melhor do que aquilo que você achava que era o melhor? Talvez você mereça muito mais do que pensa...

Portanto, tenha fé. E acredite: Nada é por acaso. Se for... O acaso também passa!