Há alguns anos atrás, eu e uma amiga estávamos numa lanchonete especializada em salgados. Era uma noite fria, e quando saímos de lá, ao passarmos por uma calçada, havia uma mulher sentada num degrau. Ela tinha um bebê no colo e uma caixinha com cartelas de chicletes para vender. Ao passarmos por lá, ela perguntou se gostaríamos de comprá-los, eu logo agradeci e respondi que não (até porque nunca tive o hábito de consumir) e ia continuar andando (e tagarelando). Mas minha amiga parou e perguntou a ela:
"A senhora está com fome? Gostaria que comprássemos algo para você comer?"
E ela respondeu que sim.
Minha amiga perguntou:
"O que a senhora gostaria de comer?"
Ela respondeu: "Qualquer coisa..."
Bom, nessa hora eu já havia "aterrissado" na situação e me dado conta que ali existia uma pessoa em condição precária. E perguntei: "A senhora prefere pastel, coxinha, quibe...?"
E novamente ela respondeu: "Qualquer coisa..."
Ficou muito claro o quanto aquela mulher realmente passava por necessidades, e o quanto ela procurava viver de forma digna. Afinal, ela buscava ganhar dinheiro honestamente vendendo os doces, e não pediu absolutamente nada. E ao oferecermos ajuda, ela aceitou e o "qualquer coisa" mostrou o quanto ela realmente precisava de algo para comer...
E lá fomos eu e minha amiga de volta à lanchonete. Pedimos ali uma bandeja, escolhemos alguns salgados, e ainda pedimos uma garrafinha de suco natural para ela.
Ao entregarmos a bandeja... Um gesto do qual jamais me esquecerei: Ela colocou no degrau, e com apenas uma das mãos (porque a outra segurava o bebê) procurava rapidamente abrir o pacote, até com um esboço de sorriso no rosto (lembro-me até dos olhos arregalados, fixos no pacote), e com uma postura extremamente humilde.
Vendo aquela situação, eu e minha amiga não tivemos dúvidas. Abrimos nossas carteiras e todo o dinheiro que tínhamos entregamos a ela. Não era muito, infelizmente, mas para ela certamente ajudaria. E quando estávamos indo embora, desejando a ela que Deus a abençoasse, em sua humildade e dignidade, ela nos disse: "Peguem chicletes..."
Respondemos que não, que preferíamos que ela os vendesse para outras pessoas e ganhasse um dinheiro a mais. Despedimos-nos dela, que mal nos olhou novamente, tamanha devia ser sua fome, e logo se voltou a abrir a bandeja.
Ela sequer nos disse um "obrigada". E pergunto a vocês: Precisava dessa palavra dela para sentirmos a gratidão daquela mulher? Para quem está de fora, talvez sim. Mas para nós... As atitudes dela foram muito mais valiosas do que isso. Afinal, quantos pedintes dizem "obrigado" mas no fundo desprezam a atitude de quem "deu uma moeda de pouco valor", ou recusam uma comida que oferecemos porque eles querem dinheiro...
Preste atenção em quem te diz "obrigado". E preste também em quem nada lhe diz... Pode ser que o segundo seja muito mais grato a você do que você imagina!
Quando você "faz o bem sem olhar a quem", a palavra "obrigado" torna-se dispensável e o mais beneficiado é você...
(A gratidão silenciosa daquela mulher eu jamais consegui esquecer...)
Pensamentos e reflexões sobre amor, relacionamentos, família, trabalho, etc.. Seja bem vindo! Venha, reflita comigo e volte sempre :)
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
"Eu? Namorar alguém com filhos? Jamais!"
Há quem "zere" totalmente a possibilidade de se relacionar com uma pessoa que tenha filhos.
É óbvio que quem se habilita a entrar num relacionamento assim, deve estar ciente de que será preciso dividir a atenção e o tempo da pessoa amada com a prole dele(a), independente da idade do(s) filho(s). Pode ser que a tarefa não seja nada fácil. O(a) parceiro(a) pode morar com o(s) filhos, o que limita a intimidade do casal, o(s) filho(s) pode(m) não gostar da outra pessoa, etc... De fato, é uma situação que exige disposição, flexibilidade e compreensão do casal. Não só da parte que está, digamos, "invadindo" a família, mas também da parte que é pai/mãe.
O assunto é amplo, mas aqui pretendo me restringir apenas a quem é adepto à frase do título do texto...
Você que pensa assim, além de poder estar perdendo a oportunidade de se relacionar com alguém que pode ser muito legal, também pode não ter parado para pensar que você pode analisar muito melhor a pessoa, e economizar um tempão nessa análise, consequentemente, percebendo logo se vale a pena investir tempo na relação. Por quê? Veja algumas possibilidades:
1) A pessoa pode mostrar que sabe administrar muito bem as várias áreas da vida simultaneamente
Uma pessoa que sabe dividir bem o tempo entre os filhos e o(a) parceiro(a), que não deixa os problemas que porventura ele(a) tenha com os filhos (e/ou com o pai/mãe deles) interferir na relação, e que sabe ser um bom parceiro amoroso além de pai ou mãe... Merece uns pontinhos, não é mesmo? ;-)
2) A pessoa pode mostrar logo como ela será com o(s) filho(s) que porventura você tiver com ela
Isso é óbvio. Se a pessoa é desatenta ou irresponsável com os filhos que já tem, pode acabar sendo também com os próximos que vai ter. Fique de olho nesse caso, especialmente se você pretende ter filhos!
Em contrapartida, a pessoa que é atenciosa, cuidadosa, preocupada com o bem estar dos filhos... Provavelmente será com os próximos também.
3) Caso ela mostre atenção demais para você e de menos com o(s) filho(s)...
...cuidado. Pode ser uma pessoa imatura, ou ainda, uma pessoa irresponsável, afinal, filhos são para sempre, e merecem toda a atenção e zelo do pai ou mãe! Mais cedo ou mais tarde, a imaturidade, irresponsabilidade ou indiferença que ele(a) mostra com os filhos deverá se estender para você também.
4) Caso ela mostre atenção demais para o(s) filhos e de menos com você...
...é hora de você colocar sua auto estima em pauta. Filhos devem ter prioridade? Claro, desde que essa prioridade não venha a interferir no seu valor como pessoa e companheiro(a) dele(a). E se um dia a pessoa disser algo do tipo "é óbvio que amo mais meu(s) filho(s) do que você", pense que mesmo que isso seja verdade, é desnecessário que a pessoa fale e mais ainda que você ouça. O amor por filhos ou companheiro nunca será o mesmo, são amores diferentes, e não há medida "para mais" ou "para menos". Uma pessoa que fala isso para o companheiro pode demonstrar imaturidade nos sentimentos, e desconsideração com a pessoa amada (será que é amada mesmo?). Isso não se fala, especialmente se você é um(a) companheiro dedicado e compreensivo. E infelizmente, tem gente que depois que se torna pai ou mãe, só sabe ser pai ou mãe, e esquece ou não faz mais questão de ser homem ou mulher...
Óbvio que poderão existir situações onde você deverá ser mais compreensivo(a). Caso o(s) filho(s) dele(a) adoeça(m), por exemplo, você deverá ser mais flexível com o tempo dele(a), saber que diante de um problema com o(s) filho(s) a pessoa poderá ficar mais com os filhos.
....................................................................
Mas aceitar ou não alguém com filho(s) é, sobretudo, uma questão de escolha. Ninguém deve se "forçar" a ficar com alguém que já seja pai e mãe, isso faz parte da individualidade, e ninguém é melhor ou pior do que alguém por encarar a situação ou não.
Seja como for, se você está nessa situação, ou venha a entrar um dia... Deverá saber que alguns desafios podem aparecer. Aliás, pergunto-lhe se você conhece alguma situação isenta de desafios!
O assunto é amplo, mas aqui pretendo me restringir apenas a quem é adepto à frase do título do texto...
Você que pensa assim, além de poder estar perdendo a oportunidade de se relacionar com alguém que pode ser muito legal, também pode não ter parado para pensar que você pode analisar muito melhor a pessoa, e economizar um tempão nessa análise, consequentemente, percebendo logo se vale a pena investir tempo na relação. Por quê? Veja algumas possibilidades:
1) A pessoa pode mostrar que sabe administrar muito bem as várias áreas da vida simultaneamente
Uma pessoa que sabe dividir bem o tempo entre os filhos e o(a) parceiro(a), que não deixa os problemas que porventura ele(a) tenha com os filhos (e/ou com o pai/mãe deles) interferir na relação, e que sabe ser um bom parceiro amoroso além de pai ou mãe... Merece uns pontinhos, não é mesmo? ;-)
2) A pessoa pode mostrar logo como ela será com o(s) filho(s) que porventura você tiver com ela
Isso é óbvio. Se a pessoa é desatenta ou irresponsável com os filhos que já tem, pode acabar sendo também com os próximos que vai ter. Fique de olho nesse caso, especialmente se você pretende ter filhos!
Em contrapartida, a pessoa que é atenciosa, cuidadosa, preocupada com o bem estar dos filhos... Provavelmente será com os próximos também.
3) Caso ela mostre atenção demais para você e de menos com o(s) filho(s)...
...cuidado. Pode ser uma pessoa imatura, ou ainda, uma pessoa irresponsável, afinal, filhos são para sempre, e merecem toda a atenção e zelo do pai ou mãe! Mais cedo ou mais tarde, a imaturidade, irresponsabilidade ou indiferença que ele(a) mostra com os filhos deverá se estender para você também.
4) Caso ela mostre atenção demais para o(s) filhos e de menos com você...
...é hora de você colocar sua auto estima em pauta. Filhos devem ter prioridade? Claro, desde que essa prioridade não venha a interferir no seu valor como pessoa e companheiro(a) dele(a). E se um dia a pessoa disser algo do tipo "é óbvio que amo mais meu(s) filho(s) do que você", pense que mesmo que isso seja verdade, é desnecessário que a pessoa fale e mais ainda que você ouça. O amor por filhos ou companheiro nunca será o mesmo, são amores diferentes, e não há medida "para mais" ou "para menos". Uma pessoa que fala isso para o companheiro pode demonstrar imaturidade nos sentimentos, e desconsideração com a pessoa amada (será que é amada mesmo?). Isso não se fala, especialmente se você é um(a) companheiro dedicado e compreensivo. E infelizmente, tem gente que depois que se torna pai ou mãe, só sabe ser pai ou mãe, e esquece ou não faz mais questão de ser homem ou mulher...
Óbvio que poderão existir situações onde você deverá ser mais compreensivo(a). Caso o(s) filho(s) dele(a) adoeça(m), por exemplo, você deverá ser mais flexível com o tempo dele(a), saber que diante de um problema com o(s) filho(s) a pessoa poderá ficar mais com os filhos.
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Mas aceitar ou não alguém com filho(s) é, sobretudo, uma questão de escolha. Ninguém deve se "forçar" a ficar com alguém que já seja pai e mãe, isso faz parte da individualidade, e ninguém é melhor ou pior do que alguém por encarar a situação ou não.
Seja como for, se você está nessa situação, ou venha a entrar um dia... Deverá saber que alguns desafios podem aparecer. Aliás, pergunto-lhe se você conhece alguma situação isenta de desafios!
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Por que nem sempre teremos sucesso em tudo?
Você lutou. Deu o melhor de si. Correu atrás. Pesquisou, estudou cada passo que deu e... Deu errado, mesmo tendo a certeza de que fez tudo certinho. E frequentemente por motivos totalmente inesperados, por interferências de coisas que apareceram de repente.
Pode parecer até injusto. Eu sinceramente não sei o que é pior: Fracassar por erros nossos mesmos (porque nos culpamos) ou por interferências externas que "nem sabemos de onde veio".
Às vezes a resposta é simples. Pode ser que simplesmente não consigamos enxergar os erros que cometemos e levaremos um tempo para entender (ou não, caso se trate de uma pessoa "teimosa" que jamais admite estar errada)... Pode ser também que não tivemos malícia ou vivência para lidar com os fatores externos que causaram a "má interferência".
Mas, além disso... Pode ser simplesmente a vida tentando nos ensinar:
-Que decididamente não temos controle sobre as coisas que acontecem... Todos sabemos que na vida nada é certeza, que de um minuto para outro as coisas podem mudar.
-Nos ensinar a perder, a sermos mais humildes. Imagine só ter sucesso a vida toda. Poderia nos tornar arrogantes, "mimados", e ainda, intolerante aos erros alheios, afinal, se só tivéssemos sucesso o tempo todo, por que os "incompetentes" que nos rodeiam não poderiam ser melhores do que são?
-A não desistirmos. Um fracasso seguido de nova tentativa nos torna mais resistentes, e certas coisas na vida só podem ser realizadas por quem é realmente perseverante e batalhador, não por quem fracassa e desiste.
Ou pode ser a vida nos permitindo errar para nos proteger, para que não cometamos um erro pior mais para frente.
E creio também em outra possibilidade: Por mais triste que fiquemos... Seremos exemplos para outras pessoas, e podemos ser escolhidos pela vida para fracassar para que outras pessoas observem nossos erros para não cometê-los, ou simplesmente, enxergarem que, por mais que uma pessoa se esforce, seja correta e batalhadora... Ela também pode fracassar.
E já parou para pensar que o grande fracasso aparente pode acontecer para que você receba algo muito melhor do que aquilo que você achava que era o melhor? Talvez você mereça muito mais do que pensa...
Portanto, tenha fé. E acredite: Nada é por acaso. Se for... O acaso também passa!
Pode parecer até injusto. Eu sinceramente não sei o que é pior: Fracassar por erros nossos mesmos (porque nos culpamos) ou por interferências externas que "nem sabemos de onde veio".
Às vezes a resposta é simples. Pode ser que simplesmente não consigamos enxergar os erros que cometemos e levaremos um tempo para entender (ou não, caso se trate de uma pessoa "teimosa" que jamais admite estar errada)... Pode ser também que não tivemos malícia ou vivência para lidar com os fatores externos que causaram a "má interferência".
Mas, além disso... Pode ser simplesmente a vida tentando nos ensinar:
-Que decididamente não temos controle sobre as coisas que acontecem... Todos sabemos que na vida nada é certeza, que de um minuto para outro as coisas podem mudar.
-Nos ensinar a perder, a sermos mais humildes. Imagine só ter sucesso a vida toda. Poderia nos tornar arrogantes, "mimados", e ainda, intolerante aos erros alheios, afinal, se só tivéssemos sucesso o tempo todo, por que os "incompetentes" que nos rodeiam não poderiam ser melhores do que são?
-A não desistirmos. Um fracasso seguido de nova tentativa nos torna mais resistentes, e certas coisas na vida só podem ser realizadas por quem é realmente perseverante e batalhador, não por quem fracassa e desiste.
Ou pode ser a vida nos permitindo errar para nos proteger, para que não cometamos um erro pior mais para frente.
E creio também em outra possibilidade: Por mais triste que fiquemos... Seremos exemplos para outras pessoas, e podemos ser escolhidos pela vida para fracassar para que outras pessoas observem nossos erros para não cometê-los, ou simplesmente, enxergarem que, por mais que uma pessoa se esforce, seja correta e batalhadora... Ela também pode fracassar.
E já parou para pensar que o grande fracasso aparente pode acontecer para que você receba algo muito melhor do que aquilo que você achava que era o melhor? Talvez você mereça muito mais do que pensa...
Portanto, tenha fé. E acredite: Nada é por acaso. Se for... O acaso também passa!
sábado, 15 de agosto de 2015
"Se eu tivesse chegado antes/feito tal coisa... Ele(a) poderia ter sobrevivido!"
Ainda é muito difícil para nós aceitarmos a morte de uma pessoa querida. Faz parte da vida, tanto a morte como a dificuldade de aceitação.
Há um tempo atrás, quando escrevi um texto sobre a aceitação (http://venhaereflita.blogspot.com/2014/06/lidando-com-morte-de-pessoas-queridas.html)ali eu me perguntava por que todos nós, sem exceção, temos ainda que lidar com a morte de alguém como algo tão difícil, se é certeza de que um dia todos iremos "para o lado de lá".
Li uma teoria que dizia que todos nós nascemos com "instinto de preservação", onde todos temos como instinto preservar nossa vida (é por isso que temos atitudes como levar as mãos ao chão automaticamente se cairmos, ou levar as mãos à cabeça se algo cair de cima, por exemplo). E o instinto é tão forte que acabamos projetando em todos os demais que convivem conosco. E por isso é tão difícil aceitarmos a perda. Sendo assim, todos nós buscamos salvar nossas vidas ou a dos semelhantes, e nos chocamos com a partida de pessoas que às vezes nem são tão próximas.
E, com esse instinto, é natural que diante da partida de algum ente querido tenhamos a sensação de impotência, de culpa por não ter salvado a vida da pessoa, ou pensamos em mil soluções que poderiam ter "evitado o pior".
Mas, em primeiro lugar... É impossível saber data e hora que a morte chega ou vai chegar. Nunca sabemos quando ou como vai ser a partida de alguém. Então... Será que realmente teríamos tido poder diante da única certeza da vida?
E vou contar uma história que eu vivenciei, que creio que pode aliviar o sentimento de culpa de muita gente.
Certa vez, eu estava numa reunião onde comemorávamos o aniversário de uma pessoa. O aniversariante era médico, o filho dele era cirurgião cardiologista. E, de repente, o irmão do médico (e tio do cardiologista) se sentiu mal. Teve dores no braço, começou a tossir... Foram examiná-lo e perceberam que os batimentos cardíacos estavam irregulares. Pediram que todos os demais se retirassem do recinto em que estavam e foram aplicando os primeiros socorros. Esta residência ficava a poucos metros de um hospital bem conceituado, um dos médicos entrou em contato com esse hospital, avisou que era médico também e pediu que preparassem recursos no pronto socorro com urgência, porque levariam um paciente imediatamente e não daria tempo de acionar o resgate, já passando todo o quadro para que tudo fosse agilizado. E levaram-no para lá. Entre os primeiros sintomas de mal estar do paciente e chegada no hospital, não se passaram mais de 15 minutos. Havia vários equipamentos já preparados, vários médicos do pronto socorro e do hospital foram acionados e estavam a postos para auxiliar.
Foi feito de tudo, porém, mesmo com todos os cuidados... O paciente não resistiu e faleceu de infarto.
Ou seja: Ele teve socorro imediato, estava com dois médicos parentes dele, próximo a um hospital que já estava com tudo preparado para recebê-lo, e faleceu de infarto sendo que um dos parentes era cardiologista... O que mais poderia ter sido feito? Infelizmente, nada. De fato, "chegou a hora" da pessoa.
Essa história eu vi de perto, eu estava lá quando aconteceu, há quase 10 anos.
Aí pergunto a vocês: Será que realmente temos algum poder para mudar o que pode estar, digamos, já escrito no plano do universo, ou para quem é cético, que tenha acontecido pelo acaso?
Claro que todos nós temos que lutar para sobreviver, e que temos que fazer o possível para ajudar a preservar ou salvar a vida de alguém. Mas quando tudo foi feito e a pessoa mesmo assim parte... Ainda ficam culpas do tipo:
- "Eu poderia ter chegado 5 minutos antes..."
- "Eu poderia ter tentado procurar outro hospital..."
- "Eu deveria ter consultado outro profissional..."
- "Eu não deveria ter saído de casa para o acidente não acontecer..."
- "Deveria ter aceitado aquele cafezinho a mais que me ofereceram para não estar na hora do acidente..."
- "Eu não deveria tê-lo(a) deixado sair..."
- "Eu deveria ter sido ainda mais rigoroso(a) com a dieta dele(a)..."
- "Será que seu eu tivesse aplicado determinado procedimento ele(a) poderia ter sido salvo(a)?..."
... Ah, pessoas... Já é tão difícil lidar com a dor da perda... Tudo o que não precisamos é agravar essa dor com uma culpa que não temos!
Aceitar a partida de alguém muitas vezes não é nem uma questão de fé mais. Simplesmente é entender que a morte ainda é um grande desafio à ciência, e que quando acontece, foge totalmente ao controle de todos, inclusive daqueles que estudam a vida inteira para preservar vidas.
Há um tempo atrás, quando escrevi um texto sobre a aceitação (http://venhaereflita.blogspot.com/2014/06/lidando-com-morte-de-pessoas-queridas.html)ali eu me perguntava por que todos nós, sem exceção, temos ainda que lidar com a morte de alguém como algo tão difícil, se é certeza de que um dia todos iremos "para o lado de lá".
Li uma teoria que dizia que todos nós nascemos com "instinto de preservação", onde todos temos como instinto preservar nossa vida (é por isso que temos atitudes como levar as mãos ao chão automaticamente se cairmos, ou levar as mãos à cabeça se algo cair de cima, por exemplo). E o instinto é tão forte que acabamos projetando em todos os demais que convivem conosco. E por isso é tão difícil aceitarmos a perda. Sendo assim, todos nós buscamos salvar nossas vidas ou a dos semelhantes, e nos chocamos com a partida de pessoas que às vezes nem são tão próximas.
E, com esse instinto, é natural que diante da partida de algum ente querido tenhamos a sensação de impotência, de culpa por não ter salvado a vida da pessoa, ou pensamos em mil soluções que poderiam ter "evitado o pior".
Mas, em primeiro lugar... É impossível saber data e hora que a morte chega ou vai chegar. Nunca sabemos quando ou como vai ser a partida de alguém. Então... Será que realmente teríamos tido poder diante da única certeza da vida?
E vou contar uma história que eu vivenciei, que creio que pode aliviar o sentimento de culpa de muita gente.
Certa vez, eu estava numa reunião onde comemorávamos o aniversário de uma pessoa. O aniversariante era médico, o filho dele era cirurgião cardiologista. E, de repente, o irmão do médico (e tio do cardiologista) se sentiu mal. Teve dores no braço, começou a tossir... Foram examiná-lo e perceberam que os batimentos cardíacos estavam irregulares. Pediram que todos os demais se retirassem do recinto em que estavam e foram aplicando os primeiros socorros. Esta residência ficava a poucos metros de um hospital bem conceituado, um dos médicos entrou em contato com esse hospital, avisou que era médico também e pediu que preparassem recursos no pronto socorro com urgência, porque levariam um paciente imediatamente e não daria tempo de acionar o resgate, já passando todo o quadro para que tudo fosse agilizado. E levaram-no para lá. Entre os primeiros sintomas de mal estar do paciente e chegada no hospital, não se passaram mais de 15 minutos. Havia vários equipamentos já preparados, vários médicos do pronto socorro e do hospital foram acionados e estavam a postos para auxiliar.
Foi feito de tudo, porém, mesmo com todos os cuidados... O paciente não resistiu e faleceu de infarto.
Ou seja: Ele teve socorro imediato, estava com dois médicos parentes dele, próximo a um hospital que já estava com tudo preparado para recebê-lo, e faleceu de infarto sendo que um dos parentes era cardiologista... O que mais poderia ter sido feito? Infelizmente, nada. De fato, "chegou a hora" da pessoa.
Essa história eu vi de perto, eu estava lá quando aconteceu, há quase 10 anos.
Aí pergunto a vocês: Será que realmente temos algum poder para mudar o que pode estar, digamos, já escrito no plano do universo, ou para quem é cético, que tenha acontecido pelo acaso?
Claro que todos nós temos que lutar para sobreviver, e que temos que fazer o possível para ajudar a preservar ou salvar a vida de alguém. Mas quando tudo foi feito e a pessoa mesmo assim parte... Ainda ficam culpas do tipo:
- "Eu poderia ter chegado 5 minutos antes..."
- "Eu poderia ter tentado procurar outro hospital..."
- "Eu deveria ter consultado outro profissional..."
- "Eu não deveria ter saído de casa para o acidente não acontecer..."
- "Deveria ter aceitado aquele cafezinho a mais que me ofereceram para não estar na hora do acidente..."
- "Eu não deveria tê-lo(a) deixado sair..."
- "Eu deveria ter sido ainda mais rigoroso(a) com a dieta dele(a)..."
- "Será que seu eu tivesse aplicado determinado procedimento ele(a) poderia ter sido salvo(a)?..."
... Ah, pessoas... Já é tão difícil lidar com a dor da perda... Tudo o que não precisamos é agravar essa dor com uma culpa que não temos!
Aceitar a partida de alguém muitas vezes não é nem uma questão de fé mais. Simplesmente é entender que a morte ainda é um grande desafio à ciência, e que quando acontece, foge totalmente ao controle de todos, inclusive daqueles que estudam a vida inteira para preservar vidas.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Pare de julgar quem não tem ou não quer ter filhos...
Hoje em dia nem tanto, mas até há alguns anos atrás as pessoas que não tinham filhos eram facilmente julgadas. Quem afirmava não querer tê-los, então... Eram quase marginalizadas com frases do tipo:
"Uma mulher que não quer filhos será castigada por Deus."
"A vida sem filhos fica vazia."
"A melhor coisa da vida é ter bebês e vê-los crescer."
E ainda hoje, infelizmente, ainda se fala muito nisso. Não tenho a menor dúvida de que a maternidade e a paternidade devem ser umas das experiências mais gratificantes na vida de alguém, apesar do trabalho e responsabilidade para a vida toda. E apesar dos problemas que todos os pais e mães enfrentam, desde a simples preocupação com a educação, com a dificuldade de criar filhos num mundo tão cheio de problemas como temos enfrentado... Realmente não deve existir amor maior no mundo do que aquele que se sente por um filho.
Agora, ter ou não ter filhos é uma escolha de cada um... Ou não! Há quem não planeje e a criança vem (e parece que em alguns casos realmente foi feito de tudo para evitar a concepção), há quem tente a vida toda e não consiga.
Vejamos uns dos julgamentos mais comuns... E uma análise mais 'fria' em alguns!
"Você está passando da idade...." / "Vocês já estão há muito tempo casados, está na hora de ter um bebê..."
Em primeiro lugar, a máxima: Cada um sabe de si, e cada um é dono do seu próprio caminho. Cada um sabe "onde o próprio calo aperta". E quem fala isso já parou para pensar que de repente a pessoa não se sente preparada para a maternidade ou paternidade, ou ainda pode enfrentar a impossibilidade física, por exemplo, de ter filhos e não comenta isso com ninguém(e se for isso, imagine o quanto ela deve se machucar cada vez que ouve dessas frases "clássicas")?
É muito egoísmo não querer ter filhos...
...como se fosse a coisa mais fácil de se planejar e de se ter. E eu, sinceramente, não acho um ato de egoísmo quem opta por não ser mãe ou pai porque tem medo de criar uma criança num mundo onde a vida não tem sido das mais fáceis.
E quanta gente acaba tendo filhos porque acha "que está ficando velho(a)", porque "tem medo da solidão", ou pela simples tradição da obrigação de ter filhos depois de um tempo. E, nesses casos, eu pergunto... Quem é que está sendo egoísta mesmo? :-)
Ah... Não é possível que seu(s) coração(ões) não amoleça(m) ao pensar num bebezinho ou numa criancinha fofa que você(s) geraria(m)!
Óbvio que crianças e bebês são realmente lindas e fofas, e a maioria é adorável, mas aí eu convido quem "levanta essa bandeira" para refletir no seguinte: E se não nascessem bebês ou crianças, e já viessem direto filhos adolescentes? Creio que se assim fosse, muita gente não teria filhos... O que prova que as pessoas são mais iludidas do que conscientes sobre a maternidade ou paternidade!
Quem vai te acompanhar ou cuidar de você quando você estiver idoso(a)?
Ou seja... Há quem pense na prole como meio de "previdência privada". Essa é uma daquelas que considero uma das maiores faltas de bom senso no assunto. Quem pensa assim não se dá conta de que, se a opção é não ter filhos, pode ficar muito mais barato investir todos os recursos financeiros que seriam usados para a criança (educação, alimentação, saúde, vestuário...) e garantir o próprio futuro sem estar desamparado.
E se você visitar um asilo, por exemplo, vai se surpreender com a quantidade de idosos(as) que estão abandonados pelos filhos e netos. Não é garantia que os filhos serão companhia e amparo na velhice, infelizmente.
Mas filhos são seres que Deus confia a nós...
Para quem tem fé, isto realmente pode ter todo o sentido. Porém esse mesmo Deus que confia Seus filhos que precisam nascer aos filhos d'Ele que já estão aqui, também concedeu o livre-arbítrio a todos eles. Então, cada um sabe de si.
E mais: Há pessoas que nasceram para ser pai ou mãe, outras vêm com outro tipo de missão. E independente de qualquer coisa, mesmo que a vida de todos já seja traçada antes do nascimento, creio que haja total flexibilidade - espontânea ou forçada - para que a vida mude.
Outra coisa na qual as pessoas que pensam apenas emocionalmente na questão não se dão conta: É possível escolher ter filhos, porém é impossível escolher os filhos que chegarão!
Não estou aqui para apoiar quem quer ou não quer ter filhos. Entendo que essa é uma questão pessoal e opção de cada um. E só.
"Uma mulher que não quer filhos será castigada por Deus."
"A vida sem filhos fica vazia."
"A melhor coisa da vida é ter bebês e vê-los crescer."
E ainda hoje, infelizmente, ainda se fala muito nisso. Não tenho a menor dúvida de que a maternidade e a paternidade devem ser umas das experiências mais gratificantes na vida de alguém, apesar do trabalho e responsabilidade para a vida toda. E apesar dos problemas que todos os pais e mães enfrentam, desde a simples preocupação com a educação, com a dificuldade de criar filhos num mundo tão cheio de problemas como temos enfrentado... Realmente não deve existir amor maior no mundo do que aquele que se sente por um filho.
Agora, ter ou não ter filhos é uma escolha de cada um... Ou não! Há quem não planeje e a criança vem (e parece que em alguns casos realmente foi feito de tudo para evitar a concepção), há quem tente a vida toda e não consiga.
Vejamos uns dos julgamentos mais comuns... E uma análise mais 'fria' em alguns!
"Você está passando da idade...." / "Vocês já estão há muito tempo casados, está na hora de ter um bebê..."
Em primeiro lugar, a máxima: Cada um sabe de si, e cada um é dono do seu próprio caminho. Cada um sabe "onde o próprio calo aperta". E quem fala isso já parou para pensar que de repente a pessoa não se sente preparada para a maternidade ou paternidade, ou ainda pode enfrentar a impossibilidade física, por exemplo, de ter filhos e não comenta isso com ninguém(e se for isso, imagine o quanto ela deve se machucar cada vez que ouve dessas frases "clássicas")?
É muito egoísmo não querer ter filhos...
...como se fosse a coisa mais fácil de se planejar e de se ter. E eu, sinceramente, não acho um ato de egoísmo quem opta por não ser mãe ou pai porque tem medo de criar uma criança num mundo onde a vida não tem sido das mais fáceis.
E quanta gente acaba tendo filhos porque acha "que está ficando velho(a)", porque "tem medo da solidão", ou pela simples tradição da obrigação de ter filhos depois de um tempo. E, nesses casos, eu pergunto... Quem é que está sendo egoísta mesmo? :-)
Ah... Não é possível que seu(s) coração(ões) não amoleça(m) ao pensar num bebezinho ou numa criancinha fofa que você(s) geraria(m)!
Óbvio que crianças e bebês são realmente lindas e fofas, e a maioria é adorável, mas aí eu convido quem "levanta essa bandeira" para refletir no seguinte: E se não nascessem bebês ou crianças, e já viessem direto filhos adolescentes? Creio que se assim fosse, muita gente não teria filhos... O que prova que as pessoas são mais iludidas do que conscientes sobre a maternidade ou paternidade!
Quem vai te acompanhar ou cuidar de você quando você estiver idoso(a)?
Ou seja... Há quem pense na prole como meio de "previdência privada". Essa é uma daquelas que considero uma das maiores faltas de bom senso no assunto. Quem pensa assim não se dá conta de que, se a opção é não ter filhos, pode ficar muito mais barato investir todos os recursos financeiros que seriam usados para a criança (educação, alimentação, saúde, vestuário...) e garantir o próprio futuro sem estar desamparado.
E se você visitar um asilo, por exemplo, vai se surpreender com a quantidade de idosos(as) que estão abandonados pelos filhos e netos. Não é garantia que os filhos serão companhia e amparo na velhice, infelizmente.
Mas filhos são seres que Deus confia a nós...
Para quem tem fé, isto realmente pode ter todo o sentido. Porém esse mesmo Deus que confia Seus filhos que precisam nascer aos filhos d'Ele que já estão aqui, também concedeu o livre-arbítrio a todos eles. Então, cada um sabe de si.
E mais: Há pessoas que nasceram para ser pai ou mãe, outras vêm com outro tipo de missão. E independente de qualquer coisa, mesmo que a vida de todos já seja traçada antes do nascimento, creio que haja total flexibilidade - espontânea ou forçada - para que a vida mude.
Outra coisa na qual as pessoas que pensam apenas emocionalmente na questão não se dão conta: É possível escolher ter filhos, porém é impossível escolher os filhos que chegarão!
Não estou aqui para apoiar quem quer ou não quer ter filhos. Entendo que essa é uma questão pessoal e opção de cada um. E só.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
"Eu não merecia passar por isso..."
Em algum momento, pode acontecer de nos sentirmos injustiçados perante a vida, ou não conseguimos entender por que determinado problema, perda, frustração etc... Surgiu para nós. E temos a sensação de que não merecíamos passar por aquilo, ficamos tentando buscar alguma explicação. E quantas vezes não encontramos! Até porque algumas perguntas simplesmente não têm resposta...
Há quem nem pense muito no porquê de ter acontecido. Há teorias que dizem que para toda reação houve uma ação (alguns vão dizer que mesmo que tenha sido em outras vidas, existe explicação). Há quem simplesmente não consiga enxergar a resposta que está bem à sua frente, e para outros, a resposta pode vir depois...
Mas vamos supor que aparentemente aconteceu, sim, uma injustiça ou um fato que decididamente não buscamos. Vamos supor que tenhamos nos esforçado, feito tudo certo, dado o melhor de nós, que não tenhamos prejudicado ninguém... Mesmo que não haja explicação, há pelo menos uma coisa que podemos tirar disso: Podemos ter a oportunidade de refletir em até que ponto somos o que realmente pensamos que somos (ou que éramos...). Quer ver alguns exemplos?
"Eu jamais roubaria, nem uma bala"!
É muito fácil dizermos num momento onde não nos falta nada, ou sem nunca termos passado por sérias privações ou necessidades, que jamais roubaríamos nem que estivéssemos passando fome... Mas quando alguém sente isso "na pele", especialmente quando a pessoa tem filhos e vê a família passando sérias necessidades, é que pode realmente provar se o "jamais roubaria" se mantenha. E que fique bem claro que mesmo que a pessoa não consiga resistir, ela não deve ser julgada, a não ser por ela mesma!
"Minha fé é inabalável."
É muito fácil e bonito uma pessoa que está com a vida tranquila dizer que tem uma fé inabalável na divindade na qual acredita. É muito fácil e "bem visto" que essa pessoa frequente uma igreja, templo, centro... Que fale da sua divindade a outras pessoas, que dê bons conselhos, que pareça ter "um coração de ouro" tamanha é a fé que ela diz ter. Mas essa pessoa realmente consegue demonstrar o testemunho da sua fé quando passa por algo realmente desafiante. Quantas pessoas dizem ter fé em Deus, por exemplo, e na primeira prova chegam a desafiá-Lo, duvidar da Sua existência. E quantas só passam a acreditar, ou voltam a acreditar, depois que os problemas terminam...
"Eu nunca 'passaria a perna em alguém' ou agiria contra a ética para tirar alguma vantagem ou me livrar de um problema..."
Dizer isso quando as coisas vão bem, quando a pessoa dispõe de um conforto financeiro e material, é bem comum. Até que um dia, a pessoa está numa fase muito complicada e de repente ela tem a oportunidade de fazer algo não tão lícito ou ético. Será que ela realmente vai manter esse princípio?
"Prometo te amar para sempre e jamais sair do seu lado, aconteça o que acontecer!"
Quando um relacionamento está tranquilo, feliz, quando as pessoas estão apaixonadas... É facílimo e delicioso dizer ou ouvir isso.Agora, pense em situações que realmente fugiria do controle de qualquer um. Pense por exemplo num acidente que pode acontecer, ou uma doença inesperada, que faz com que a pessoa amada perca o viço, a beleza, que passe a se tornar totalmente dependente, talvez perca até a consciência e deixe de ser quem conhecemos. Aí eu pergunto: O "aconteça o que acontecer" vai ser "pra valer" mesmo ou a pessoa já trataria de dizer que seria uma "exceção à regra"? Não nos esqueçamos que a pessoa é a mesma, mas a situação dela agora é outra... Claro que estou supondo uma situação realmente extrema, mas é num momento realmente extremo que você consegue provar se você realmente tinha condições de "amar para sempre" e permanecer ao lado da pessoa "aconteça o que acontecer"...
Mas que fique bem claro: Somos seres humanos, temos nossos limites, e muitas vezes gostaríamos de ser de um jeito e dizemos que realmente somos... Mas entre dizermos e sermos, a distância pode ser grande. Teoria, prática e vivência são coisas totalmente diferentes!
Entender esse ponto de vista nos ajuda a viver melhor, a nos perdoar, a não exigirmos tanto de nós mesmos (afinal todos nós temos nossas fraquezas e defeitos)... E também a não julgarmos tanto as pessoas que agiram erroneamente aos nossos olhos! E, principalmente... Ao vivermos situações desafiadoras, é assim que provamos se realmente somos o que pensávamos!
Há quem nem pense muito no porquê de ter acontecido. Há teorias que dizem que para toda reação houve uma ação (alguns vão dizer que mesmo que tenha sido em outras vidas, existe explicação). Há quem simplesmente não consiga enxergar a resposta que está bem à sua frente, e para outros, a resposta pode vir depois...
Mas vamos supor que aparentemente aconteceu, sim, uma injustiça ou um fato que decididamente não buscamos. Vamos supor que tenhamos nos esforçado, feito tudo certo, dado o melhor de nós, que não tenhamos prejudicado ninguém... Mesmo que não haja explicação, há pelo menos uma coisa que podemos tirar disso: Podemos ter a oportunidade de refletir em até que ponto somos o que realmente pensamos que somos (ou que éramos...). Quer ver alguns exemplos?
"Eu jamais roubaria, nem uma bala"!
É muito fácil dizermos num momento onde não nos falta nada, ou sem nunca termos passado por sérias privações ou necessidades, que jamais roubaríamos nem que estivéssemos passando fome... Mas quando alguém sente isso "na pele", especialmente quando a pessoa tem filhos e vê a família passando sérias necessidades, é que pode realmente provar se o "jamais roubaria" se mantenha. E que fique bem claro que mesmo que a pessoa não consiga resistir, ela não deve ser julgada, a não ser por ela mesma!
"Minha fé é inabalável."
É muito fácil e bonito uma pessoa que está com a vida tranquila dizer que tem uma fé inabalável na divindade na qual acredita. É muito fácil e "bem visto" que essa pessoa frequente uma igreja, templo, centro... Que fale da sua divindade a outras pessoas, que dê bons conselhos, que pareça ter "um coração de ouro" tamanha é a fé que ela diz ter. Mas essa pessoa realmente consegue demonstrar o testemunho da sua fé quando passa por algo realmente desafiante. Quantas pessoas dizem ter fé em Deus, por exemplo, e na primeira prova chegam a desafiá-Lo, duvidar da Sua existência. E quantas só passam a acreditar, ou voltam a acreditar, depois que os problemas terminam...
"Eu nunca 'passaria a perna em alguém' ou agiria contra a ética para tirar alguma vantagem ou me livrar de um problema..."
Dizer isso quando as coisas vão bem, quando a pessoa dispõe de um conforto financeiro e material, é bem comum. Até que um dia, a pessoa está numa fase muito complicada e de repente ela tem a oportunidade de fazer algo não tão lícito ou ético. Será que ela realmente vai manter esse princípio?
"Prometo te amar para sempre e jamais sair do seu lado, aconteça o que acontecer!"
Quando um relacionamento está tranquilo, feliz, quando as pessoas estão apaixonadas... É facílimo e delicioso dizer ou ouvir isso.Agora, pense em situações que realmente fugiria do controle de qualquer um. Pense por exemplo num acidente que pode acontecer, ou uma doença inesperada, que faz com que a pessoa amada perca o viço, a beleza, que passe a se tornar totalmente dependente, talvez perca até a consciência e deixe de ser quem conhecemos. Aí eu pergunto: O "aconteça o que acontecer" vai ser "pra valer" mesmo ou a pessoa já trataria de dizer que seria uma "exceção à regra"? Não nos esqueçamos que a pessoa é a mesma, mas a situação dela agora é outra... Claro que estou supondo uma situação realmente extrema, mas é num momento realmente extremo que você consegue provar se você realmente tinha condições de "amar para sempre" e permanecer ao lado da pessoa "aconteça o que acontecer"...
Mas que fique bem claro: Somos seres humanos, temos nossos limites, e muitas vezes gostaríamos de ser de um jeito e dizemos que realmente somos... Mas entre dizermos e sermos, a distância pode ser grande. Teoria, prática e vivência são coisas totalmente diferentes!
Entender esse ponto de vista nos ajuda a viver melhor, a nos perdoar, a não exigirmos tanto de nós mesmos (afinal todos nós temos nossas fraquezas e defeitos)... E também a não julgarmos tanto as pessoas que agiram erroneamente aos nossos olhos! E, principalmente... Ao vivermos situações desafiadoras, é assim que provamos se realmente somos o que pensávamos!
segunda-feira, 15 de junho de 2015
"Será que os gerentes não vêem os absurdos que essa pessoa comete?"
Quem já não se questionou a esse respeito?
Quem já não viu atitudes até absurdas de algumas pessoas, parecendo que os superiores faziam "vistas grossas" a isso?
Aí nos questionamos. E, de fato, parece que essas pessoas são "protegidas", ou que talvez os superiores tenham o famoso "rabo preso" com elas, porque algumas coisas realmente parecem absurdas aos nossos olhos. Lógico que às vezes realmente as injustiças acontecem, e que parece que as pessoas demoram para enxergar certas coisas (porque os "causadores" muitas vezes se fazem de "santos" e são manipuladores, e conseguem, sim, prejudicar muita gente).
Agora, vendo por outro lado... Pensando no lado da empresa, quanto maior for, ou quanto mais ela estiver crescendo... Fica cada vez mais difícil reunir pessoas com os mesmos valores, que sejam calmas, de bom relacionamento. Pense numa empresa que precise de 1.000, 2.000, 3.000 funcionários para suas atividades. Você acha que será possível que todas essas sejam honestas, de bom relacionamento, justas...? E a gerência e diretoria acabam aceitando e precisando dessas pessoas, porque o que mais importa para ela é o desempenho profissional e o resultado que elas dão.
Para termos uma ideia de a que ponto pode chegar essa situação... Conheci um micro empresário que possui uma empresa que trabalha com aparelhos de ar condicionado. Vende e presta serviços. Ele possui um técnico muito bom e qualificado, porém, descobriu que esse funcionário faz serviços "por fora" da empresa ao invés de ajudar a empresa que é o ganha pão dele... E usando as ferramentas dela, às vezes até no horário comercial! Mesmo que esse técnico se sinta injustiçado, que ganhe pouco, nada justifica desonestidade. E esse empresário está numa cidade pequena, onde encontrar mão de obra qualificada é muito mais difícil (e até os empresários de grandes cidades reclamam da falta de funcionários qualificados). Bem ou mal, esse técnico dá resultados e lucro para a empresa. E enquanto ele não consegue encontrar alguém para substituí-lo, é preciso continuar com ele. Se é difícil para você aceitar o que um colega faz, imagine para esse empresário ter que "engolir" esse funcionário por absoluta falta de opção!
E, quando precisamos chegar aos superiores para notificar algo que essas pessoas fazem, é preciso tomar muito cuidado com isso. Falar com provas, apresentando fatos, e somente se ela realmente está atrapalhando o trabalho. Se for apenas questão de "picuinha" que não atinja suas atividades, pense se realmente vale a pena "passar para a frente", você ainda pode passar por fofoqueiro(a).
E vamos supor que você reuniu fatos e falou com o seu superior, e depois disso, nada foi feito, e ele pareceu até imparcial. Dá uma raiva, não dá? Agora, coloque-se no lugar dele. Na posição de superior, ele não pode "tomar partido", nem mostrar a você que concorda com sua opinião negativa a respeito da tal pessoa. Se ele sair mostrando a cada funcionário que ele concorda ou discorda com uma opinião, imagine essas pessoas saírem falando pela empresa que o superior concorda com a atitude negativa (muitos que vão reclamar não saberão ficar "de boca fechada" e podem vir a prejudicar o superior com isso).
Pode ter certeza de que se você for um bom funcionário, ético, de confiança, e ele for um bom líder, ele levará sua reclamação em consideração e irá procurar mais fatos e prestar mais atenção nas atitudes da pessoa, mesmo que não demonstre isso a você, para depois poder agir. Pense também que as empresas possuem monitoração dos funcionários, de telefone fixo e móvel quando corporativo, de emails... Então, pode ser que as empresas saibam, sim, particularidades negativas de seus funcionários (e pode ser que seu gerente tenha a mesma opinião que você sobre seu(a) colega), mas tenha a consciência de que, quanto maior for a empresa, mais imparciais os bons líderes devem parecer a todos. Raramente eles vão se sentir confortáveis em concordar com o "reclamante", a não ser que ele realmente tenha muita confiança nele e tenha até uma certa intimidade com ele.
Temos que aprender a aceitar essas diferenças dentro da empresa em que trabalhamos, com essa consciência de que é impossível que uma empresa tenha todos os funcionários super honestos, éticos e de bom relacionamento com os colegas. Isso demonstra maturidade profissional, a ponto de você conseguir usufruir de uma certa paz ao invés de ficar revoltado com as pessoas... E eu acredito que, a partir do momento em que fazemos o melhor que podemos, que damos o melhor de nós, mais cedo ou mais tarde as oportunidades aparecem, e a verdade sobre nós (e sobre os outros) também. Temos que aprender a olhar para o nosso trabalho, e não para o dos outros. Basta apenas nos defendermos de possíveis injustiças.
Temos que ter consciência também de que uma empresa investe tempo e dinheiro para trocar, demitir ou contratar funcionários. E isso não é tarefa tão simples, e por isso às vezes ainda fica mais viável manter uma pessoa que causa alguns problemas do que ter que trocá-la.
Agora, se realmente os problemas estão acontecendo de maneira absurda... Espere. Mais cedo, ou mais tarde (às vezes muito mais tarde, infelizmente...), o tempo mostra e traz todas as respostas. E lembre-se que de toda situação tira-se ao menos o aprendizado. E não se esqueça: É com os relacionamentos interpessoais, positivos ou negativos, onde mais temos oportunidades de aprendermos a viver e a evoluir como pessoas e profissionais!
Quem já não viu atitudes até absurdas de algumas pessoas, parecendo que os superiores faziam "vistas grossas" a isso?
Aí nos questionamos. E, de fato, parece que essas pessoas são "protegidas", ou que talvez os superiores tenham o famoso "rabo preso" com elas, porque algumas coisas realmente parecem absurdas aos nossos olhos. Lógico que às vezes realmente as injustiças acontecem, e que parece que as pessoas demoram para enxergar certas coisas (porque os "causadores" muitas vezes se fazem de "santos" e são manipuladores, e conseguem, sim, prejudicar muita gente).
Agora, vendo por outro lado... Pensando no lado da empresa, quanto maior for, ou quanto mais ela estiver crescendo... Fica cada vez mais difícil reunir pessoas com os mesmos valores, que sejam calmas, de bom relacionamento. Pense numa empresa que precise de 1.000, 2.000, 3.000 funcionários para suas atividades. Você acha que será possível que todas essas sejam honestas, de bom relacionamento, justas...? E a gerência e diretoria acabam aceitando e precisando dessas pessoas, porque o que mais importa para ela é o desempenho profissional e o resultado que elas dão.
Para termos uma ideia de a que ponto pode chegar essa situação... Conheci um micro empresário que possui uma empresa que trabalha com aparelhos de ar condicionado. Vende e presta serviços. Ele possui um técnico muito bom e qualificado, porém, descobriu que esse funcionário faz serviços "por fora" da empresa ao invés de ajudar a empresa que é o ganha pão dele... E usando as ferramentas dela, às vezes até no horário comercial! Mesmo que esse técnico se sinta injustiçado, que ganhe pouco, nada justifica desonestidade. E esse empresário está numa cidade pequena, onde encontrar mão de obra qualificada é muito mais difícil (e até os empresários de grandes cidades reclamam da falta de funcionários qualificados). Bem ou mal, esse técnico dá resultados e lucro para a empresa. E enquanto ele não consegue encontrar alguém para substituí-lo, é preciso continuar com ele. Se é difícil para você aceitar o que um colega faz, imagine para esse empresário ter que "engolir" esse funcionário por absoluta falta de opção!
E, quando precisamos chegar aos superiores para notificar algo que essas pessoas fazem, é preciso tomar muito cuidado com isso. Falar com provas, apresentando fatos, e somente se ela realmente está atrapalhando o trabalho. Se for apenas questão de "picuinha" que não atinja suas atividades, pense se realmente vale a pena "passar para a frente", você ainda pode passar por fofoqueiro(a).
E vamos supor que você reuniu fatos e falou com o seu superior, e depois disso, nada foi feito, e ele pareceu até imparcial. Dá uma raiva, não dá? Agora, coloque-se no lugar dele. Na posição de superior, ele não pode "tomar partido", nem mostrar a você que concorda com sua opinião negativa a respeito da tal pessoa. Se ele sair mostrando a cada funcionário que ele concorda ou discorda com uma opinião, imagine essas pessoas saírem falando pela empresa que o superior concorda com a atitude negativa (muitos que vão reclamar não saberão ficar "de boca fechada" e podem vir a prejudicar o superior com isso).
Pode ter certeza de que se você for um bom funcionário, ético, de confiança, e ele for um bom líder, ele levará sua reclamação em consideração e irá procurar mais fatos e prestar mais atenção nas atitudes da pessoa, mesmo que não demonstre isso a você, para depois poder agir. Pense também que as empresas possuem monitoração dos funcionários, de telefone fixo e móvel quando corporativo, de emails... Então, pode ser que as empresas saibam, sim, particularidades negativas de seus funcionários (e pode ser que seu gerente tenha a mesma opinião que você sobre seu(a) colega), mas tenha a consciência de que, quanto maior for a empresa, mais imparciais os bons líderes devem parecer a todos. Raramente eles vão se sentir confortáveis em concordar com o "reclamante", a não ser que ele realmente tenha muita confiança nele e tenha até uma certa intimidade com ele.
Temos que aprender a aceitar essas diferenças dentro da empresa em que trabalhamos, com essa consciência de que é impossível que uma empresa tenha todos os funcionários super honestos, éticos e de bom relacionamento com os colegas. Isso demonstra maturidade profissional, a ponto de você conseguir usufruir de uma certa paz ao invés de ficar revoltado com as pessoas... E eu acredito que, a partir do momento em que fazemos o melhor que podemos, que damos o melhor de nós, mais cedo ou mais tarde as oportunidades aparecem, e a verdade sobre nós (e sobre os outros) também. Temos que aprender a olhar para o nosso trabalho, e não para o dos outros. Basta apenas nos defendermos de possíveis injustiças.
Temos que ter consciência também de que uma empresa investe tempo e dinheiro para trocar, demitir ou contratar funcionários. E isso não é tarefa tão simples, e por isso às vezes ainda fica mais viável manter uma pessoa que causa alguns problemas do que ter que trocá-la.
Agora, se realmente os problemas estão acontecendo de maneira absurda... Espere. Mais cedo, ou mais tarde (às vezes muito mais tarde, infelizmente...), o tempo mostra e traz todas as respostas. E lembre-se que de toda situação tira-se ao menos o aprendizado. E não se esqueça: É com os relacionamentos interpessoais, positivos ou negativos, onde mais temos oportunidades de aprendermos a viver e a evoluir como pessoas e profissionais!
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