sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"Entrou um profissional qualificado na minha área... Será uma ameaça?"

Recebi um email pelo blog de uma pessoa dizendo que a empresa em que ela trabalha está contratando novos profissionais, e alguns parecem ser bem qualificados, outros nem tanto. Disse que isto está gerando boatos na empresa e que as pessoas estão com medo. E gostaria de ter dicas sobre como agir a respeito.

Em primeiro lugar achei graça, afinal, não tenho a menor vivência em RH. Agradeci por ser leitor do blog e prometi pensar no assunto. E pensei. :-) 

Vamos supor que isso aconteça na empresa em que você está trabalhando. Sentir-se ameaçado é praticamente inevitável. 

Se ele está em um cargo acima do seu, você teme que ele possa te demitir.

Se está no mesmo cargo que você, sente que sua promoção pode ser adiada.

Se está abaixo do seu cargo, sente que seu cargo pode estar ameaçado.

Fora os outros medos que aparecem. De 'puxarem o seu tapete', de 'o clima pesar', e outras coisas mais.

Quando entra um profissional assim na sua área, é preciso antes de tudo analisar se realmente ele é qualificado, ou se apenas foi um 'mestre' no marketing pessoal (já vi isso acontecer, e muito). Se é esse o caso, pode demorar um tempo, mas a verdade inevitavelmente aparece. Tenha paciência, às vezes somente a equipe consegue saber quem é a pessoa realmente, e a gerência nem sempre. Porque às vezes um suposto 'profissional' desse tem lábia, e frequentemente leva méritos sobre o trabalho alheio, é bajulador... E pior ainda, quando é do tipo 'cobra', que na frente do gerente é um 'santo' e quando este vira as costas o tal 'profissional' se revela - e nem dá pra reclamar muito com o gerente, a pessoa pode ser tão ardilosa que este sequer acredita que ela o seja e ainda acha que a equipe está sendo injusta e enciumada (Oh, mundo corporativo)... Pode acontecer dessa pessoa realmente prejudicar outras e acontecer demissões injustas. Se é esse o caso, o bom profissional que foi demitido injustamente ao menos terá a chance de entrar numa empresa que seja mais coerente. Afinal, a empresa que desconhece a verdade sobre determinados funcionários talvez não mereça alguns bons profissionais que tem e não sabe reter talentos. Mas o tempo mostra tudo, mais cedo ou mais tarde. Ok, às vezes bem mais tarde, infelizmente.

Agora, vamos supor que de fato o novo profissional tem conhecimento e trabalha bem. Alguns agem com arrogância, sentindo-se superiores aos demais, e nesse caso não tem muito o que fazer. Pode até ser que a gerência perceba isso mas acabe optando por mante-lo mesmo assim porque precisa dele (leia mais sobre isso em http://venhaereflita.blogspot.com/2015/06/sera-que-os-gerentes-nao-veem-os.html)... 

E quando entra um bom profissional que é 'gente boa' (ou não tão boa assim, mas que dá para conviver)? Você pode até se sentir ameaçado, mas você já tentou se colocar no lugar dele? Este pode até ser ameaçador para você, mas já parou para pensar nos desafios que isso representa para ele também? Veja alguns:

-Não ser aceito pelos colegas e ter seu 'tapete puxado';

-Não receber informações o suficiente da empresa, especialmente dos colegas, para desenvolver bem seu trabalho (Tem uma postagem que só fala sobre isso em http://venhaereflita.blogspot.com/2015/01/o-lider-ou-funcionario-segura-informacao.html )

-Saber que como as pessoas podem ter medo da ameaça que ele representa, ele vai precisar ser muito cauteloso;

-Saber que se for fechado demais, podem estranhá-lo, e se quiser ser simpático, podem 'desconfiar de tanta simpatia';

-Não conseguir passar o que sabe por ter medo de parecer "ousado" numa nova casa, ou porque não consegue espaço para isso, e seu talento ser desperdiçado.

Acredite, se for uma pessoa coerente, não será fácil para ele também... E quanto maior a empresa, maior a dificuldade para gerir tudo isso.

Mas, enfim. O que as pessoas não entendem é que um profissional desse pode trazer novas idéias, novos conhecimentos inclusive para elas, e que a troca de informações pode enriquecer ambos os lados. Se este profissional for bem acolhido pela equipe, além do clima ficar muito mais agradável, isso pode facilitar o trabalho de todos. O que você aprender com ele você nunca perderá, e poderá até se tornar mais qualificado por causa dele, destacando-se ainda mais nessa ou na próxima empresa na qual for trabalhar. Sem contar que ele pode até te ajudar a crescer na empresa, especialmente se você já estiver "acomodado(a)" no seu cargo, por realmente não conseguir mais expandir a sua visão por estar tão imerso na rotina.

Pode acontecer também de você ficar com o "orgulho ferido" por até então ter "reinado absoluto" talvez, mas pense. Mesmo que isso te incomode, é um convite para você inovar também. E caso não seja o caso, pense também no seguinte: Você sempre será melhor profissional do que alguns, mas também irão surgir profissionais melhores do que você. Faça o melhor que pode sempre, e não esqueça de inovar - o que pode ser auxiliado pelo novo colega.

Faça sua parte. Nada é por acaso. Mesmo que você seja prejudicado depois, sempre ficará uma lição para aprender.

Repito uma frase que já coloquei em outra postagem: 

"Uma vela nada perde quando, com sua chama, acende uma outra que está apagada." (Orison SMarden)


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Um suicida me ensinou...

Recentemente um conhecido meu cometeu suicídio. Não pretendo, nem tenho o direito, de julgar a atitude dele. O meu intuito é simplesmente passar o que aprendi com ele a vocês.

O único objetivo dessa mensagem é refletir sobre o tema. Em respeito à memória dele, não gostaria de ler comentários que o julgassem. Se o julgamento é inevitável, guardem para si, por favor.

Ele era uma pessoa de boa família... Muito bem estruturada financeiramente. Ele foi muito bem criado, teve oportunidades, e vivia muito bem.

Ele tinha uma personalidade forte, de opinião muito bem formada, sobre a vida em geral. Desde cedo deixou claro que jamais teria filhos e achava que ninguém deveria tê-los por toda a dificuldade que a vida oferece. Era filósofo a respeito, e participou de várias discussões filosóficas, escreveu muito sobre o tema. Defendia também o suicídio, até porque era totalmente ateu e nunca acreditou na vida após a morte.

Gostava de viajar, de experimentar coisas boas, era fã de carros, as viagens preferidas dele sempre envolviam as melhores estradas no mundo com carros potentes. Aqui no Brasil ele também era fã de velocidade, e apesar de ser ateu, descrente, fazia questão de preservar as outras vidas. Tanto que jamais corria nas estradas brasileiras durante o dia... Deixava para fazer isso na madrugada, ele se preocupava em não causar acidentes porque poderia prejudicar outras famílias.

E, certo dia... Enviou cartas a todos os amigos, aos pais... Comunicando a decisão do suicídio. Deixando claro que não tinha mágoas de ninguém, que não era uma pessoa triste, e que apenas estava pronto para partir, dizia que a decisão já havia sido tomada fazia muito tempo, que estava apenas aguardando a finalização dos projetos de vida... E como eles já estavam realizados, havia chegado a hora de interromper a sua própria vida. Para preservá-lo, não irei divulgar o nome dele aqui...

Quando as cartas começaram a chegar para as pessoas... Ele já havia cometido o suicídio.

Ele não parecia ser uma pessoa triste e com conflitos. Demonstrava muita frieza e racionalidade.

E, com isso, o que aprendi? Que há pessoas que por mais que tenham tudo para serem felizes na vida, não encontram motivação para nada. Que ter tudo aquilo que se deseja materialmente não significa plenitude. 

Portanto, você, que pode ainda se sentir incompleto por ainda não ter conquistado tudo aquilo que deseja, acredite: Nem isso garante sua satisfação. Existem coisas que não têm preço, e a sua vida é uma delas...

Isso mostra o quanto ter objetivos serve de motivação. Há também quem não tenha objetivo nenhum e encontre razão para viver. Seja como for... Reflita se realmente você deve se considerar infeliz ou incompleto por ainda não ter realizado ou conquistado tudo aquilo que tem em mente.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Você espera ouvir "obrigado(a)"? Acha que essa é a única forma de agradecimento?

Há alguns anos atrás, eu e uma amiga estávamos numa lanchonete especializada em salgados. Era uma noite fria, e quando saímos de lá, ao passarmos por uma calçada, havia uma mulher sentada num degrau. Ela tinha um bebê no colo e uma caixinha com cartelas de chicletes para vender. Ao passarmos por lá, ela perguntou se gostaríamos de comprá-los, eu logo agradeci e respondi que não (até porque nunca tive o hábito de consumir) e ia continuar andando (e tagarelando). Mas minha amiga parou e perguntou a ela: 

"A senhora está com fome? Gostaria que comprássemos algo para você comer?" 

E ela respondeu que sim. 

Minha amiga perguntou: 

"O que a senhora gostaria de comer?" 

Ela respondeu: "Qualquer coisa..." 

Bom, nessa hora eu já havia "aterrissado" na situação e me dado conta que ali existia uma pessoa em condição precária. E perguntei: "A senhora prefere pastel, coxinha, quibe...?"

E novamente ela respondeu: "Qualquer coisa..."

Ficou muito claro o quanto aquela mulher realmente passava por necessidades, e o quanto ela procurava viver de forma digna. Afinal, ela buscava ganhar dinheiro honestamente vendendo os doces, e não pediu absolutamente nada. E ao oferecermos ajuda, ela aceitou e o "qualquer coisa" mostrou o quanto ela realmente precisava de algo para comer...

E lá fomos eu e minha amiga de volta à lanchonete. Pedimos ali uma bandeja, escolhemos alguns salgados, e ainda pedimos uma garrafinha de suco natural para ela.

Ao entregarmos a bandeja... Um gesto do qual jamais me esquecerei: Ela colocou no degrau, e com apenas uma das mãos (porque a outra segurava o bebê) procurava rapidamente abrir o pacote, até com um esboço de sorriso no rosto (lembro-me até dos olhos arregalados, fixos no pacote), e com uma postura extremamente humilde. 

Vendo aquela situação, eu e minha amiga não tivemos dúvidas. Abrimos nossas carteiras e todo o dinheiro que tínhamos entregamos a ela. Não era muito, infelizmente, mas para ela certamente ajudaria. E quando estávamos indo embora, desejando a ela que Deus a abençoasse,  em sua humildade e dignidade, ela nos disse: "Peguem chicletes..."

Respondemos que não, que preferíamos que ela os vendesse para outras pessoas e ganhasse um dinheiro a mais. Despedimos-nos dela, que mal nos olhou novamente, tamanha devia ser sua fome, e logo se voltou a abrir a bandeja.

Ela sequer nos disse um "obrigada". E pergunto a vocês: Precisava dessa palavra dela para sentirmos a gratidão daquela mulher? Para quem está de fora, talvez sim. Mas para nós... As atitudes dela foram muito mais valiosas do que isso. Afinal, quantos pedintes dizem "obrigado" mas no fundo desprezam a atitude de quem "deu uma moeda de pouco valor", ou recusam uma comida que oferecemos porque eles querem dinheiro...

Preste atenção em quem te diz "obrigado". E preste também em quem nada lhe diz... Pode ser que o segundo seja muito mais grato a você do que você imagina!

Quando você "faz o bem sem olhar a quem", a palavra "obrigado" torna-se dispensável e o mais beneficiado é você...

(A gratidão silenciosa daquela mulher eu jamais consegui esquecer...)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

"Eu? Namorar alguém com filhos? Jamais!"

Há quem "zere" totalmente a possibilidade de se relacionar com uma pessoa que tenha filhos.

É óbvio que quem se habilita a entrar num relacionamento assim, deve estar ciente de que será preciso dividir a atenção e o tempo da pessoa amada com a prole dele(a), independente da idade do(s) filho(s). Pode ser que a tarefa não seja nada fácil. O(a) parceiro(a) pode morar com o(s) filhos, o que limita a intimidade do casal, o(s) filho(s) pode(m) não gostar da outra pessoa, etc... De fato, é uma situação que exige disposição, flexibilidade e compreensão do casal. Não só da parte que está, digamos, "invadindo" a família, mas também da parte que é pai/mãe.

O assunto é amplo, mas aqui pretendo me restringir apenas a quem é adepto à frase do título do texto...

Você que pensa assim, além de poder estar perdendo a oportunidade de se relacionar com alguém que pode ser muito legal, também pode não ter parado para pensar que você pode analisar muito melhor a pessoa, e economizar um tempão nessa análise, consequentemente, percebendo logo se vale a pena investir tempo na relação. Por quê? Veja algumas possibilidades:

1) A pessoa pode mostrar que sabe administrar muito bem as várias áreas da vida simultaneamente
Uma pessoa que sabe dividir bem o tempo entre os filhos e o(a) parceiro(a), que não deixa os problemas que porventura ele(a) tenha com os filhos (e/ou com o pai/mãe deles) interferir na relação, e que sabe ser um bom parceiro amoroso além de pai ou mãe... Merece uns pontinhos, não é mesmo? ;-) 

2) A pessoa pode mostrar logo como ela será com o(s) filho(s) que porventura você tiver com ela
Isso é óbvio. Se a pessoa é desatenta ou irresponsável com os filhos que já tem, pode acabar sendo também com os próximos que vai ter. Fique de olho nesse caso, especialmente se você pretende ter filhos!

Em contrapartida, a pessoa que é atenciosa, cuidadosa, preocupada com o bem estar dos filhos... Provavelmente será com os próximos também.


3) Caso ela mostre atenção demais para você e de menos com o(s) filho(s)...
...cuidado. Pode ser uma pessoa imatura, ou ainda, uma pessoa irresponsável, afinal, filhos são para sempre, e merecem toda a atenção e zelo do pai ou mãe! Mais cedo ou mais tarde, a imaturidade, irresponsabilidade ou indiferença que ele(a) mostra com os filhos deverá se estender para você também.


4) Caso ela mostre atenção demais para o(s) filhos e de menos com você...
...é hora de você colocar sua auto estima em pauta. Filhos devem ter prioridade? Claro, desde que essa prioridade não venha a interferir no seu valor como pessoa e companheiro(a) dele(a). E se um dia a pessoa disser algo do tipo "é óbvio que amo mais meu(s) filho(s) do que você", pense que mesmo que isso seja verdade, é desnecessário que a pessoa fale e mais ainda que você ouça. O amor por filhos ou companheiro nunca será o mesmo, são amores diferentes, e não há medida "para mais" ou "para menos". Uma pessoa que fala isso para o companheiro pode demonstrar imaturidade nos sentimentos, e desconsideração com a pessoa amada (será que é amada mesmo?). Isso não se fala, especialmente se você é um(a) companheiro dedicado e compreensivo. E infelizmente, tem gente que depois que se torna pai ou mãe, só sabe ser pai ou mãe, e esquece ou não faz mais questão de ser homem ou mulher... 

Óbvio que poderão existir situações onde você deverá ser mais compreensivo(a). Caso o(s) filho(s) dele(a) adoeça(m), por exemplo, você deverá ser mais flexível com o tempo dele(a), saber que diante de um problema com o(s) filho(s) a pessoa poderá ficar mais com os filhos. 




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Mas aceitar ou não alguém com filho(s) é, sobretudo, uma questão de escolha. Ninguém deve se "forçar" a ficar com alguém que já seja pai e mãe, isso faz parte da individualidade, e ninguém é melhor ou pior do que alguém por encarar a situação ou não. 

Seja como for, se você está nessa situação, ou venha a entrar um dia... Deverá saber que alguns desafios podem aparecer. Aliás, pergunto-lhe se você conhece alguma situação isenta de desafios!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Por que nem sempre teremos sucesso em tudo?

Você lutou. Deu o melhor de si. Correu atrás. Pesquisou, estudou cada passo que deu e... Deu errado, mesmo tendo a certeza de que fez tudo certinho. E frequentemente por motivos totalmente inesperados, por interferências de coisas que apareceram de repente.

Pode parecer até injusto. Eu sinceramente não sei o que é pior: Fracassar por erros nossos mesmos (porque nos culpamos) ou por interferências externas que "nem sabemos de onde veio".

Às vezes a resposta é simples. Pode ser que simplesmente não consigamos enxergar os erros que cometemos e levaremos um tempo para entender (ou não, caso se trate de uma pessoa "teimosa" que jamais admite estar errada)... Pode ser também que não tivemos malícia ou vivência para lidar com os fatores externos que causaram a "má interferência".

Mas, além disso... Pode ser simplesmente a vida tentando nos ensinar:

-Que decididamente não temos controle sobre as coisas que acontecem... Todos sabemos que na vida nada é certeza, que de um minuto para outro as coisas podem mudar. 

-Nos ensinar a perder, a sermos mais humildes. Imagine só ter sucesso a vida toda. Poderia nos tornar arrogantes, "mimados", e ainda, intolerante aos erros alheios, afinal, se só tivéssemos sucesso o tempo todo, por que os "incompetentes" que nos rodeiam não poderiam ser melhores do que são?

-A não desistirmos. Um fracasso seguido de nova tentativa nos torna mais resistentes, e certas coisas na vida só podem ser realizadas por quem é realmente perseverante e batalhador, não por quem fracassa e desiste.

Ou pode ser a vida nos permitindo errar para nos proteger, para que não cometamos um erro pior mais para frente.

E creio também em outra possibilidade: Por mais triste que fiquemos... Seremos exemplos para outras pessoas, e podemos ser escolhidos pela vida para fracassar para que outras pessoas observem nossos erros para não cometê-los, ou simplesmente, enxergarem que, por mais que uma pessoa se esforce, seja correta e batalhadora... Ela também pode fracassar.

E já parou para pensar que o grande fracasso aparente pode acontecer para que você receba algo muito melhor do que aquilo que você achava que era o melhor? Talvez você mereça muito mais do que pensa...

Portanto, tenha fé. E acredite: Nada é por acaso. Se for... O acaso também passa!

sábado, 15 de agosto de 2015

"Se eu tivesse chegado antes/feito tal coisa... Ele(a) poderia ter sobrevivido!"

Ainda é muito difícil para nós aceitarmos a morte de uma pessoa querida. Faz parte da vida, tanto a morte como a dificuldade de aceitação.

Há um tempo atrás, quando escrevi um texto sobre a aceitação (http://venhaereflita.blogspot.com/2014/06/lidando-com-morte-de-pessoas-queridas.html)ali eu me perguntava por que todos nós, sem exceção, temos ainda que lidar com a morte de alguém como algo tão difícil, se é certeza de que um dia todos iremos "para o lado de lá". 

Li uma teoria que dizia que todos nós nascemos com "instinto de preservação", onde todos temos como instinto preservar nossa vida (é por isso que temos atitudes como levar as mãos ao chão automaticamente se cairmos, ou levar as mãos à cabeça se algo cair de cima, por exemplo). E o instinto é tão forte que acabamos projetando em todos os demais que convivem conosco. E por isso é tão difícil aceitarmos a perda. Sendo assim, todos nós buscamos salvar nossas vidas ou a dos semelhantes, e nos chocamos com a partida de pessoas que às vezes nem são tão próximas. 

E, com esse instinto, é natural que diante da partida de algum ente querido tenhamos a sensação de impotência, de culpa por não ter salvado a vida da pessoa, ou pensamos em mil soluções que poderiam ter "evitado o pior".

Mas, em primeiro lugar... É impossível saber data e hora que a morte chega ou vai chegar. Nunca sabemos quando ou como vai ser a partida de alguém. Então... Será que realmente teríamos tido poder diante da única certeza da vida?

E vou contar uma história que eu vivenciei, que creio que pode aliviar o sentimento de culpa de muita gente.

Certa vez, eu estava numa reunião onde comemorávamos o aniversário de uma pessoa. O aniversariante era médico, o filho dele era cirurgião cardiologista. E, de repente, o irmão do médico (e tio do cardiologista) se sentiu mal. Teve dores no braço, começou a tossir... Foram examiná-lo e perceberam que os batimentos cardíacos estavam irregulares. Pediram que todos os demais se retirassem do recinto em que estavam e foram aplicando os primeiros socorros. Esta residência ficava a poucos metros de um hospital bem conceituado, um dos médicos entrou em contato com esse hospital, avisou que era médico também e pediu que preparassem recursos no pronto socorro com urgência, porque levariam um paciente imediatamente e não daria tempo de acionar o resgate, já passando todo o quadro para que tudo fosse agilizado. E levaram-no para lá. Entre os primeiros sintomas de mal estar do paciente e chegada no hospital, não se passaram mais de 15 minutos. Havia vários equipamentos já preparados, vários médicos do pronto socorro e do hospital foram acionados e estavam a postos para auxiliar.

Foi feito de tudo, porém, mesmo com todos os cuidados... O paciente não resistiu e faleceu de infarto.

Ou seja: Ele teve socorro imediato, estava com dois médicos parentes dele, próximo a um hospital que já estava com tudo preparado para recebê-lo, e faleceu de infarto sendo que um dos parentes era cardiologista... O que mais poderia ter sido feito? Infelizmente, nada. De fato, "chegou a hora" da pessoa.

Essa história eu vi de perto, eu estava lá quando aconteceu, há quase 10 anos.

Aí pergunto a vocês: Será que realmente temos algum poder para mudar o que pode estar, digamos, já escrito no plano do universo, ou para quem é cético, que tenha acontecido pelo acaso? 

Claro que todos nós temos que lutar para sobreviver, e que temos que fazer o possível para ajudar a preservar ou salvar a vida de alguém. Mas quando tudo foi feito e a pessoa mesmo assim parte... Ainda ficam culpas do tipo:

- "Eu poderia ter chegado 5 minutos antes..."
- "Eu poderia ter tentado procurar outro hospital..."
- "Eu deveria ter consultado outro profissional..."
- "Eu não deveria ter saído de casa para o acidente não acontecer..."
- "Deveria ter aceitado aquele cafezinho a mais que me ofereceram para não estar na hora do acidente..."
- "Eu não deveria tê-lo(a) deixado sair..."
- "Eu deveria ter sido ainda mais rigoroso(a) com a dieta dele(a)..."
- "Será que seu eu tivesse aplicado determinado procedimento ele(a) poderia ter sido salvo(a)?..."

... Ah, pessoas... Já é tão difícil lidar com a dor da perda... Tudo o que não precisamos é agravar essa dor com uma culpa que não temos!

Aceitar a partida de alguém muitas vezes não é nem uma questão de fé mais. Simplesmente é entender que a morte ainda é um grande desafio à ciência, e que quando acontece, foge totalmente ao controle de todos, inclusive daqueles que estudam a vida inteira para preservar vidas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Pare de julgar quem não tem ou não quer ter filhos...

Hoje em dia nem tanto, mas até há alguns anos atrás as pessoas que não tinham filhos eram facilmente julgadas. Quem afirmava não querer tê-los, então... Eram quase marginalizadas com frases do tipo:

"Uma mulher que não quer filhos será castigada por Deus."
"A vida sem filhos fica vazia."
"A melhor coisa da vida é ter bebês e vê-los crescer."

E ainda hoje, infelizmente, ainda se fala muito nisso. Não tenho a menor dúvida de que a maternidade e a paternidade devem ser umas das experiências mais gratificantes na vida de alguém, apesar do trabalho e responsabilidade para a vida toda. E apesar dos problemas que todos os pais e mães enfrentam, desde a simples preocupação com a educação, com a dificuldade de criar filhos num mundo tão cheio de problemas como temos enfrentado... Realmente não deve existir amor maior no mundo do que aquele que se sente por um filho.

Agora, ter ou não ter filhos é uma escolha de cada um... Ou não! Há quem não planeje e a criança vem (e parece que em alguns casos realmente foi feito de tudo para evitar a concepção), há quem tente a vida toda e não consiga.

Vejamos uns dos julgamentos mais comuns... E uma análise mais 'fria' em alguns!

"Você está passando da idade...." / "Vocês já estão há muito tempo casados, está na hora de ter um bebê..."
Em primeiro lugar, a máxima: Cada um sabe de si, e cada um é dono do seu próprio caminho. Cada um sabe "onde o próprio calo aperta". E quem fala isso já parou para pensar que de repente a pessoa não se sente preparada para a maternidade ou paternidade, ou ainda pode enfrentar a impossibilidade física, por exemplo, de ter filhos e não comenta isso com ninguém(e se for isso, imagine o quanto ela deve se machucar cada vez que ouve dessas frases "clássicas")


É muito egoísmo não querer ter filhos...
...como se fosse a coisa mais fácil de se planejar e de se ter. E eu, sinceramente, não acho um ato de egoísmo quem opta por não ser mãe ou pai porque tem medo de criar uma criança num mundo onde a vida não tem sido das mais fáceis.

E quanta gente acaba tendo filhos porque acha "que está ficando velho(a)", porque "tem medo da solidão", ou pela simples tradição da obrigação de ter filhos depois de um tempo. E, nesses casos, eu pergunto... Quem é que está sendo egoísta mesmo? :-)


Ah... Não é possível que seu(s) coração(ões) não amoleça(m) ao pensar num bebezinho ou numa criancinha fofa que você(s) geraria(m)!
Óbvio que crianças e bebês são realmente lindas e fofas, e a maioria é adorável, mas aí eu convido quem "levanta essa bandeira" para refletir no seguinte: E se não nascessem bebês ou crianças, e já viessem direto filhos adolescentes? Creio que se assim fosse, muita gente não teria filhos... O que prova que as pessoas são mais iludidas do que conscientes sobre a maternidade ou paternidade!


Quem vai te acompanhar ou cuidar de você quando você estiver idoso(a)?
Ou seja... Há quem pense na prole como meio de "previdência privada". Essa é uma daquelas que considero uma das maiores faltas de bom senso no assunto. Quem pensa assim não se dá conta de que, se a opção é não ter filhos, pode ficar muito mais barato investir todos os recursos financeiros que seriam usados para a criança (educação, alimentação, saúde, vestuário...) e garantir o próprio futuro sem estar desamparado.

E se você visitar um asilo, por exemplo, vai se surpreender com a quantidade de idosos(as) que estão abandonados pelos filhos e netos. Não é garantia que os filhos serão companhia e amparo na velhice, infelizmente.


Mas filhos são seres que Deus confia a nós...
Para quem tem fé, isto realmente pode ter todo o sentido. Porém esse mesmo Deus que confia Seus filhos que precisam nascer aos filhos d'Ele que já estão aqui, também concedeu o livre-arbítrio a todos eles. Então, cada um sabe de si.

E mais: Há pessoas que nasceram para ser pai ou mãe, outras vêm com outro tipo de missão. E independente de qualquer coisa, mesmo que a vida de todos já seja traçada antes do nascimento, creio que haja total flexibilidade - espontânea ou forçada - para que a vida mude.

Outra coisa na qual as pessoas que pensam apenas emocionalmente na questão não se dão conta: É possível escolher ter filhos, porém é impossível escolher os filhos que chegarão!
Não estou aqui para apoiar quem quer ou não quer ter filhos. Entendo que essa é uma questão pessoal e opção de cada um. E só.